A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 08/07/2022
A novela “O Outro Lado do Paraíso” conta a história de Laura, uma mulher que sofreu abuso sexual na infância por seu padrasto pedófilo, o qual a família abafava para não causar escândalos na sociedade, e pedia que a moça o perdoasse já que ele era marido de sua mãe. Analogamente a isso, o que se observa na realidade contemporânea é similar ao apresentado na novela, uma vez que diversos crimes que ocorrem em esferas familiares e domésticas são subnotificados no Brasil. Esse cenário antagônico é fruto tanto da luta pela hipervalorização da família por parte dos conservadores quanto da ausência de uma cadeia de apoio para as vitimas.
Precipuamente, é fulcral pontuar que os empecilhos causados pela supervalorização dos laços familiares derivam dos conservadores e dos fundamentalistas religiosos, no que concerne a idealização da família como uma instituição perfeita com base em textos e mandamentos de fé, e pela perpetuação desse ideal por meio da exclusão de membros que atrapalhem o alcance desse padrão ou pela repressão de vítimas de violências dentro dessa esfera. Sobre isso, de acordo com o Atlas da Violência 2021, por hora, 4 crianças e adolescentes são abusadas sexualmente, sendo que 60% desses abusos ocorre em casa. Tudo isso, então contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Além disso, é imperativo ressaltar, tambám, a ausência da formação de uma cadeia de apoio para as vitimas entre parentes como outra promotora do problema, já que de todas as notificações de abuso infantil computadas em 2021, apenas 7% foram feitas por familiares. Nesse contexto, segubdo Thomas Hobbes, o Estado deve garantir o bem-estar da população, o que não ocorre pela carência de instituições em várias cidades satélites e interioranas. Desse modo faz-se mister a reformulação dessa postura estatal urgentemente.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham amenizar a supervalorização de laços familiares e os danos causados por ela. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos se fazerem presentes nas esferas familiares, por meio de campanhas e construção de instituições de apoio às vitimas domésticas, a fim de preencher o vão deixado pela família negligente,e apoiar a vitima durante e depois da denúncia.