A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 31/05/2022

No filme “Encanto”, da Disney, Mirabel Madrigal sofre dificuldades em atender às expectativas de sua avó Alma. Para além da ficção, observam-se, na sociedade brasileira hodierna, situações semelhantes à obra cinematográfica, em que a valorização de laços sanguíneos frequentemente silencia conflitos familiares. Nesse sentido, é essencial discutir como uma cultural falta de diálogo no ambiente doméstico piora esse problema, bem como as possíveis consequências disso.

Sob essa ótica, a princípio, destaca-se o histórico padrão hierárquico familiar como principal causa de problemas nesse âmbito. Nesse contexto, cabe o conceito de “dominação legítima tradicional”, do sociólogo Max Weber, caracterizado pelo costume de obediência incontestável a figuras de autoridade. No ambiente familiar, vê-se isso, por exemplo, em situações em que pais impõem suas vontades aos filhos, descartando as opiniões destes. A partir disso, um núcleo doméstico sem diálogos horizontais – que dispensam essas noções de superioridade –, torna-se, muitas vezes,tóxico, impositor e prejudicial.

Consequentemente, são cada vez mais comuns problemas emocionais e psicológicos nas famílias brasileiras. Isso porque, assim como no filme supracitado, muitos filhos sentem a necessidade de suprir as expectativas de seus parentes, ignorando, com frequência, as suas próprias aspirações. Esse cenário pode acarretar sérias complicações, como ansiedade e depressão, haja vista a ignorância e silenciamento desse imbróglio. Assim, por esse motivo, é crucial que o Estado adote medidas que promovam diálogos e previnam essas consequências às famílias nacionais.

Portanto, a fim de superar esses padrões históricos problemáticos, urge que o Ministério da Família e dos Direitos Humanos, principal responsável por investimentos nessa área, promova discussões acerca da excessiva valorização de vínculos sanguíneos em detrimento de problemas familiares. Essa ação seria feita por meio de palestras em universidades e escolas do país, com participação de psicólogos e psiquiatras, os quais abordariam como identificar relações familiares tóxicas. Dessa forma, dificuldades como as de Mirabel seriam mitigadas nos lares brasileiros.