A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 04/06/2022
No filme “Encanto”, da Disney, Mirabel Madrigal sofre dificuldades em atender às expectativas de sua avó Alma. Para além da ficção, observam-se, no Brasil hodierno,, situações semelhantes à obra cinematográfica, em que a valorização de laços sanguíneos frequentemente leva a sociedade a ignorar conflitos familiares. Nesse sentido, é essencial discutir como uma cultural falta de diálogo no ambiente doméstico piora esse problema, bem como as possíveis consequências disso.
Sob essa ótica, a princípio, destaca-se o histórico padrão hierárquico familiar como principal causa de problemas nesse âmbito. Nesse contexto, cabe o conceito de “dominação legítima tradicional”, do sociólogo Max Weber, caracterizado pelo costume de obediência incontestável a figuras de autoridade. No ambiente familiar, vê-se isso, por exemplo, em situações em que pais impõem suas vontades aos filhos, descartando as opiniões destes. A partir disso, um núcleo doméstico sem diálogos horizontais – que dispensam essas noções de superioridade – torna-se, muitas vezes,tóxico, impositor e prejudicial.
Consequentemente, são cada vez mais comuns problemas psicológicos nas famílias. Isso porque, assim como no filme supracitado, muitos filhos sentem a necessidade de suprir as expectativas de seus parentes. Esse cenário pode gerar o desenvolvimento de transtornos psicológicos, como ansiedade e depressão, em várias pessoas, haja vista a falta de discussões livres de julgamentos e eventuais pressões sofridas no lar. Desse modo, a família passa a ser um local de insegurança para muitos. Logo, por esse motivo, é crucial que o Estado adote medidas que promovam diálogos e previnam esses malefícios – geralmente sustentados pela excessiva glamourização de laços de sangue.
Portanto, a fim de superar esses padrões históricos problemáticos, urge que o Ministério da Família e dos Direitos Humanos, principal responsável por incentivos nessa área, promova discussões acerca da excessiva valorização de vínculos sanguíneos em detrimento de problemas familiares. Essa ação seria feita por meio de palestras em universidades e escolas do país com participação de psicólogos e psiquiatras, os quais abordariam como identificar relações familiares tóxicas. Dessa forma, dificuldades como as de Mirabel seriam mitigadas nos lares brasileiros.