A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 04/06/2022
Consoante o pensamento kantiano, o homem é produto do meio inserido. Sob tal óptica, a valoração excessiva de elos biológicos configura-se como uma problemática social relevante, haja vista os riscos disso para o negligenciamento de atritos no seio familiar. Tal realidade empodera-se ora no modelo de comuni-dade biologicista, ora nos conceitos ultrapassados de família ainda praticados. Destarte, é fundamental analisar tais fatores, bem como propor meios de atenuá–los.
Em primeiro lugar, convém discutir como laços sanguíneos, por seu poderio no meio social, nutre omissões de pedidos de ajuda oriundos dos ditos lares. Nes- sa perspectiva, o filósofo Émile Durkhein explica que o Homo sapiens costuma a-
daptar-se ao nicho imposto. Nesse sentido, a supremacia dada aos vinculos de parentesco quando comparados às afetividades sociais parece ensurdecer os in-
divíduos perante indiferenças existentes no interior de relações onde os genes têm afinidade. Desse modo, o cenário de coletividade requer, para o equilíbrio dos relacionamentos, considerar haver falhas nas relações parentais.
Outrossim, é pertinente observar as definições de famílias, vinculadas a pa-drões, que afetam a descoberta de eventuais divergências em parentelas. Nesse contexto, o estudioso Augusto Cury compreende que a gestão da emoção passa pela lógica nas novas formas de relacionamento. Desse modo, a superação de vin-culos de parentescos em favor da adoção de membros por caracterização social pode favorecer o balaceamento psicológico da ambiência coletiva. Isso porque o cenário de globalização vigente pede afinidades para além do biológico.
Urge, portanto, a necessidade de conter a supervalorização dos laços san-guíneos em defesa da não omissão de problemas familiares. Para isso, compete ao Poder Público, mediante o processo de ensino nas instituições educacionais, empoderar a criação de laços afetivos também pelo convívio social. Tal ação in-clui a realização de palestras com psicólogos, pedagogos e assistentes sociais, os quais debaterão com o público - pais, alunos e comunidade em geral -, a relevân-cia das relações baseadas no modelo biopsicossocial. Espera-se, assim, reconhe-cer atritos nos lares, além de dar saúde à mente humana.