A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 04/06/2022
A instituição ‘‘família’’ constituiu de maneira recorrente uma das principais bases de formação social para o desenvolvimento humano. Com o advento da religião e os valores culturais que foram perpetuados aos indivíduos, os laços familiares obtiveram características inatas, como símbolo de afeto universal e espaço de conforto para os agrupamentos coletivos. Todavia, as divergências pessoais e dinâmicas de relacionamento insalubres acabaram por indicar problemas mais profundos que os círculos familiares ostentam.
Nas duas últimas décadas, a discussão acerca da parentalidade narcisista repecurtiu em larga escala em plataformas digitais, como o Twitter e Youtube. Relatos em forma de comentários se propuseram a revelar as falhas de comportamento entre os membros familiares, como alienação ou negligência parental. Assim, como na música ‘‘Dollhouse’’ de Melanie Martinez, a modernidade virtual se deu com a exposição de comportamentos nocivos entre pais e filhos, os quais variam o uso de formas variadas de violência ao consumo de álcool e entorpecentes em ambiente doméstico.
No Brasil, os crimes familiares constituem uma alta porcentagem da taxa de mortalidade da população e demostram que grande parte dos brasileiros receiam em abandonar essas relações desfavoráveis em razão da expectativa de melhora, bem como as más condições financeiras. Por isso, não somente o incentivo para a preservação familiar acaba sendo um fator prejudicial para o indivíduo, mas também dificuldades secundárias que impedem a saída desse meio. Sendo assim, é concreto que os conflitos parentais não somente são questões em âmbito individual, mas se caracterizam como problemas que são responsabilidade social.
Portanto, cabe às comunidades e ao Estado se mobilizarem para denunciar os casos de violência familiar. As autoridades tutelares devem se dispor a dialogar com dependentes e responsáveis, bem como fiscalizar atributos de salubridade em ambiente domiciliar. Isto poderá ser realizado com a disponibilidade de representantes psicopedagogos em visitas regulares aos lares, a fim de ter critérios técnicos para comunicar forças policiais e os devidos serviços sociais. Desta forma, há o encerramento de ciclos de desestruturação parental.