A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 07/06/2022
Segundo o filósofo Umberto Eco, “para ser tolerante é preciso fixar os limites do intolerável”. Mas, o pesamento de Umberto, muitas vezes, é ignorado quando trata-se de assuntos familiares, como se laços sanguíneos fossem imunes a esses limites, de forma a resultar em abusos psicológicos e físicos entre membros de uma mesma família. Nesse contexto, são evidentes problemas relacionados à questão cultural e ao silenciamento mediante à situação.
Em primeiro plano, há o caso da questão cultural. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, " o ser humano é um fim em si mesmo e não um meio de atingir interesses particulares". Entretanto, ao contrário do pensamento de Kant, as pessoas deixam de servir a si mesmas quando a família a qual pertencem torna-se abusiva, de modo a realizar pressões psicológicas e chantagem emocional a fim de fazer com que o indivíduo realize as vontades dos parentes em detrimento de sua própria felicidade. Dessa forma, o sujeito perde sua identidade sem ao menos notar, devido a forma como os laços sanguíneos são valorizados culturalmente.
Em segundo plano, há a questão do silenciamento. Tal como Kant, “o indivíduo deve agir segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal”. Assim, como explica Kant, com o propósito de sair de um ciclo familiar destrutivo o sujeito deve impor-se perante os familiares e tentar explicar a situação em que está inserido. Porém, esses feitos são extremamente dificultados devido ao silenciamento do corpo social em relação a esse tabu, pois esse é um tema pouco abordado entre as pessoas no cotidiano. Desse modo, o indivíduo sente-se solitário na sua condição e perde o estímulo externo necessário para conseguir uma solução para seus problemas familiares.
Diante disso, uma solução faz-se necessária. Para isso, a mídia social deveria, através de campanhas online, desmistificar a supervalorização dos laços sanguíneos, para as pessoas entenderem melhor seus problemas familiares e agirem em relação a ele. Ademais, o Governo deveria fornecer atendimento psicológico familiar gratuito nas comunidades pobres, a fim de tentar ajudar aqueles que não tem condições de pedir por auxílio externo. Em suma, o Brasil será um lugar onde a felicidade pessoal é mais importante do que o sangue.