A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 17/06/2022

No estatuto da família, essa importante entidade é definida como um pai, uma mãe e seus filhos, ou como um dos pais e seus descendentes. Entretanto, essa definição se apresenta retrógrada e problemática. Isso porque faz-se uma hipervalorização da consanguinidade, sem inserir como requisitos o respeito e o afeto, o que resulta em uma justificativa e em uma desculpa para ignorar os problemas familiares e suas consequências.

Nesse sentido, a série da Marvel – cavaleiro da lua – traz como protagonista um homem com transtorno de personalidade. Esse problema foi desenvolvido pelo personagem devido a traumas vivenciados na infância com a sua mãe. Na série, a matriarca culpa o seu primogênito, Marc Spector, pela morte do filho mais novo e o pune com violência física, verbal e emocional. Fora da ficção, essas crueldades também acontecem, mas por diversas razões. Dessa forma, fica evidente que apresentar laços sanguíneos não deveria ser a principal condição para se considerar família. Outrossim, relações como a exemplificada trazem consequências avassaladoras para a vítima, que poderiam ter sido evitadas se esse menino entendesse que a sua vivência não condizia com o relacionamento familiar saudável, e assim, fosse em busca de ajuda.

Além disso, de acordo com Sigmund Freud, todas as influências que uma criança recebe durante a sua formação é refletida por ela quando adulta. Assim sendo, quando um ser em formação é criado em um lar desequilibrado, apenas por manter vínculo sanguíneo, há uma grande chance de que quando cresça, mantenha e propague as atitudes violentas e egoístas aprendidas durante a infância. Essa é uma problemática grave, pois, fica claro que valoriza-se mais, na sociedade atual, a consanguinidade do que o afeto, o amor, a educação, a saúde e a segurança dos pequenos indivíduos. Por conseguinte, apresenta-se a necessidade de amenizar essa mazela social.