A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 23/06/2022
No filme “Viva: A Vida é uma Festa”, de produção da Disney, é mostrada a família como a instituição mais importante na formação do indivíduo, estando acima de qualquer coisa. No entanto, fora da ficção, o processo de distanciamento dos filhos em relação aos pais tem se tornado mais frequente, uma vez que a família nem sempre é base de apoio e respeito, sendo muitas vezes lugar de brigas. Assim, tor-na-se pertinente abordar as origens do homem brasileiro e o fim consumista como impulsionadores da supervalorização familiar e da recusa de problemas familiares.
A princípio, é válido discorrer a essência do brasileiro como ponto fundamental para entender a superestimação dos laços sanguíneos. Nessa perspectiva, o histo-riador brasileiro Sérgio Buarque de Holanda afirma que o paternalismo, de raízes coloniais, forma o núcleo de quase toda atividade do Brasil. Isso resplandece que a sociedade brasileira nasceu em um sistema familiar conservador, o qual põe a fa-mília em primeira instância e os filhos submissos aos pais, de modo que favorece a desvalorização de certas posições daqueles, fortalecendo desavenças familiares. Destarte, entende-se que a medida que o patriarcalismo supervaloriza os laços sanguíneos, mais problemas são ignorados e subestimados.
Além disso, é mister explorar o interesse consumista como outro ponto de influ-encia da superestimação dos parentes. Nesse sentido, o sociólogo francês Jean Baudillard afirma que uma das estratégias da publicidade consiste em obscurecer as mazelas presentes na realidade. Em conformidade a isso, várias marcas de bens de consumo tentam associar suas mercadorias ao “momento em família”, com o objetivo de atrair o público. Com efeito, a mídia propaga a ideia de importância da família acima de tudo, ao invés de descontruir tal cultura. Dessa forma, percebe-se a mídia como outro impulsionador da supervalorização dos laços e do posterior desmerecimento dos problemas familiares.
É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para mudar o cenário em te-se. Logo, cabe às escolas desconstruir o patriarcalismo em pauta, por meio de ativi-dades lúdicas, como brincadeiras, palestras e orientações, para que cresçam indiví-duos diferentes dos atuais e novas concepções familiares. Ademais, o auxílio da mí-dia é imprescindível. Dessarte a família será vista de outra forma da do filme.