A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 01/07/2022

A filósofa alemã Hannah Arendt, em ‘‘Banalidade do Mal’’, refletiu sobre o resultado do processo de massificação da sociedade, o qual forma indivíduos inca-

pazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados e aceitando as citua-

ções sem questionar. O pensamento da filósofa está relacionado ao contexto da supervalorização dos laços sanguíneos que leva a população a ignorar problemas familiares. Nesse âmbito, destacam-se como causas a questão sociocultural e a insuficiência das leis.

Nesse sentido, deve-se atentar às questões socioculturais que envolvem o pro-

blema. Conforme Durkheim, o fator social é a maneira coletiva do pensar. Sob essa

lógica, é possível perceber que a supervalorização dos laços sanguíneos que leva a sociedade a ignorar problemas familiares é fortemente influenciada pelo pensa-

mento coletivo, uma vez que as pessoas crescem inseridas em um contexto social no qual a familia é significado de proteção, cuidado e carinho. Entretanto, essas

formas de amor não estão presentes em todas as familias, as quais muitas vezes são as responsaveis pelos infortúnios dos indivíduos. Dessa maneira, valorizar os laços de sangue em alguns casos age como uma ’’ venda nos olhos ’’ da população.

Além disso, deve-se ressaltar que a insuficiência da legislação ganha terra fértil no imbróglio. Segundo o sociólogo Jonh Locke , ’’ as leis fizeram-se para os homens e não para as leis.’’ Ou seja, ao ser criada uma lei, é preciso que ela seja planejada para melhorar a vida das pessoas em sua aplicação. No entanto, com relação à violência doméstica infantil, a qual se caracteriza como uma das consequências de

ignorar conflitos familiares devido a supervalorização do sangue, a legislação é in-

suficiente, já que A violência contra crianças e adolescentes atingiu o número de 50.098 denúncias no primeiro semestre de 2021. Desse total, 81% ocorreram den- tro da casa da vítima. Os dados são do Disque 100.

Portanto o Ministério da Justiça e a mídia devem elaborar um projeto que será composto por campanhas publicitárias a cerca da violência e trabalho infantil e também palestras de psicólogos sobre o real papel da familia, por meio das redes

sociais e de verbas do governo, a fim de mostrar a população que não se deve ignorar as crises só porque são causadas pela familia . Assim, o país irá progredir.