A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 27/06/2022
O filósofo francês Sartre defende que o ser humano é livre e responsável. Hoje, todavia, no que concerne à supervalorização dos laços sanguíneos em detrimento da resolução dos problemas familiares, é notória a irresponsabilidade da sociedade brasileira. Decerto, tal problema se deve aos estigmas sociais e à falta de comunicação acerca da problemática.
Nesse sentido, a idealização - por parte da sociedade - dos valores familiares, tem íntima ligação com o revés, uma vez que tal questão leva a dificultar a coibição de relações tóxicas. Destarte, conforme Durkheim, os fatos sociais são maneiras de pensar, da agir e de sentir, as quais exercem determinada influência sobre os indivíduos. Posto isto, pode-se concluir que a supervalorização dos laços sanguíneos podem levar ao surgimento de relações familiares abusivos, como o fato de considerar normal o pai cometer violência física contra o filho.
Sob esse viés, o problema encontra forte alicerce na falta de diálogo social, tendo em vista que o tema é pouco propagado pelas autoridades competentes. Não obstante, Habermas - filósofo alemão - traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é a verdadeira forma de ação. Contudo, pode-se concluir que há uma desinformação acerca dos atos considerados abusivos - como a violência psicológica entre pais e filhos - dentro do contexto familiar, já que tais atos são pouco difundidos pelo governo e pelas mídias.
Em suma, é mister a resolução da problemática. Assim, cabe ao Poder Executivo federal - autoridade de caráter interventivo - , por meio de um “Projeto Nacional de Incentivo à Saúde Psicológica Familiar", realizar esse ato. Essa proposta articulará - junto aos governantes municipais - a criação de centros de suporte gratuitos com equipes multidisciplinares voltadas para a terapia de relacionamento familiar. Isso será feito a fim de solucionar os impactos dos tabus e de extinguir a falta de visibilidade do entrave. Enfim, será possível, como defende Sartre, afirmar que o ser humano é responsável.