A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 30/06/2022
No drama sul-coreano “O som da magia”, o amigo da protagonista enfrenta muitos problemas familiares, inclusive, violência. Porém, no que se refere a problemas dentro de casa, o cenário não é exclusivo da cinematografia da Coreia do Sul, já que, hoje, percebe-se, na realidade do Brasil, uma supervalorização dos laços sanguíneos que resulta na omissão de problemas na família, seja por naturalizar certos comportamentos sociais, o que acarreta terríveis consequências.
Em primeiro plano, é notório que o comportamento de exigir do filho uma certa postura é uma atitude comum, porém, quando excessiva e manipulativa, pode afetar esse indivíduo. Nesse sentido, por exemplo, uma pressão exarcebada vinda de pais sobre a escola pode ser confundida com uma ação de disciplina normal, ou seja, há uma supervalorização de vículos familiares, o que origina uma normalização até mesmo formas de violência. Nessa lógica, é válido citar o teórico Pierre Bourdie, o qual acerta ao expor que o “poder simbólico” faz uma maioria crer em uma visão imposta por meio da legitimização de uma força externa. Em analogia, o poder simbólico das relações entre membros de uma família pode ser verificado quando uma realidade de violência física ou psicológica é ignorada ou representa um discurso de amor.
Por conseguinte, com o fato da instituição familiar está presente em períodos decisórios para a formação do ser como a infância e a juventude cabe ressaltar o sociólogo Talcott Parsons. Segundo esse pensador, a família funcionaria como uma “máquina” geradora de personalidades. Sob essa ótica, é possível relacionar essa percepção com as consequências de um ambiente com alta influência negativa, haja vista que a vítima, facilmente, desenvolverá transtornos como ansiedade, depressão e terá seu desenvolvimento comportamental afetado.
Desse modo, urge medidas para amenizar essas implicações. Sob esse viés, o Ministério da Educação, outro importante expoente no papel de condicionar a educação de crianças e jovens, deve criar campanhas nas escolas com a presença de psicólogos, os quais expliquem os sinais de um relacionamento não saudável com a família, a fim de desmistificar tabus como a supervalorização de laços sanguíneos e informar canais de ajuda com objetivo do bem-estar do público-alvo.