A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 01/07/2022
A influenciadora digital Evelyn Regly publicou um vídeo para relatar que foi vítima de abuso sexual por um tio na infância. Apesar da gravidade da situação, a blogueira não conseguiu o apoio de toda a família, uma vez que o crime não foi denunciado na época. Infelizmente, casos como esse são comuns, pois muitos preferem ignorar a realidade para preservar a estrutura familiar. Desse modo, percebe-se a urgência de analisar as causas e consequências desse comportamento a fim de praticaa justiça e mudar esse cenário.
A família se apresenta como um importante pilar na formação do ser humano, afinal, é o primeio meio de interação social. Sendo assim, a tendência a manter essas relações é forte, mesmo que seja prejudicial em alguns aspectos. Isso pode ser visto pela alta quantidade de mulheres que permanecem em um casamento abusivo devido aos votos matrimoniais, impostos pela Igreja e pela sociedade. A partir daí, geram-se relações conturbadas que perduram para que as normas sociais sejam atendidas. A falsa necessidade de manter contato com familiares é nociva para os indivíduos que se encontram presos nessas relações tóxicas.
Tal padrão de comportamento pode gerar transtornos para as vítimas desses laços. Em um matrimônio como o supracitado, os filhos tendem a desenvolver ansiedade por estarem inseridos em um ambiente muitas vezes violento, pois são forçados a conviver com o pai abusivo. Além disso, em casos de abuso sexual, como o da Evelyn Regly, o trauma que se estende por toda a vida da vítima é irreparável e se agrava quando não há apoio da família, que escolhe proteger o abusador. Logo, percebe-se que as consequências são graves quando o fator genético é colocado acima da atitude correta mediante uma ação injusta.
Infere-se, portanto, que o DNA ainda prevalece sobre a justiça e que é necessária uma mudança nesse quesito. Para isso, os meios de comunicação mais populares, como a televisão, em parceria com o Ministério da Família, podem abrir espaço para histórias reais de abusos familiares a fim de alertar os telespectadores sobre a necessidade do cumprimento da lei, independente da relação familiar. Essa estratégia pode colaborar para que as pessoas compreendam que nem sempre a relação familiar deve prevalecer, especialmente quando é prejudicial.