A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 01/07/2022
De acordo com a Psicanálise, a família influencia no desenvolvimento cultural, pessoal e individual de seus descendentes. Ela é definida, também, como um mecanismo indispensável para a sociedade. Contudo, há situações em que este conceito acaba por ignorar os problemas emocionais e, principalmente, sociais originados de atritos entre familiares ligados por laços sanguíneos.
Num contexto histórico-cultural, os problemas sociais tiveram origem no Período Colonial, onde as relações familiares eram patriarcais - domínio do pai sobre as mulheres e crianças de maneira autoritária. Esse modelo perdurou durante séculos e, hoje, ainda há uma ideia, muito defendida, de que os mais jovens devem se submeter às vontades de seus genitores.
Outro fator que contribui muito para esses problemas é a mídia. Para João Batista Libânio, teólogo jesuíta licenciado em Teologia em Frankfurt (Alemanha) e doutorado pela Universidade Gregoriana (Roma) e professor da FAJE (Faculdades Jesuítas), em Belo Horizonte, a mídia serve tanto para separar quanto para unir pessoas da mesma família. “Une no sentido de trazê-las para dentro de casa e retê-las em casa diante da tela dos programas de TV. Mas, ao mesmo tempo, separa-as, porque ou as deixa em silêncio em frente do aparelho criador de sonhos ou isola-as em quartos separados. Há casas com mais de um televisor de modo que as pessoas vêem simultaneamente programas diferentes em lugares também distintos. Estão somente fisicamente sob o mesmo teto. Afetiva e culturalmente habitam mundos outros”, diz.
Desse modo, cabe às instituições sociais juntamente com o Ministério da Educação, com o objetivo de dar visibilidade a esse tabu, proporcionar maneiras de divulgar conhecimentos sobre esse problema através de palestras orientadas por psicólogos e educadores que têm embasamento no assunto e que são capazes de compreender e debater sobre as instabilidades entre parentes. Ainda, é necessário que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em parceria com a mídia, ofereça discussões sobre como os jovens são afetados por esse tipo de problema.