A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 07/07/2022

No filme “Encantada” a música “sua mãe sabe mais” tematiza a relação da protagonista com sua mãe através de frases depreciativas e maldosas sobre a filha, e justifica o comportamento por ser a genitora da menina. Não distante da ficção, no Brasil existem diversas pessoas submetidas a longas relações tóxicas que são justificados e/ou mascarados pela supervalorização dos laços sanguíneos. Isso acontece a partir da dependência gerada no seio da família e se mantém sob a égide da deficiência governamental na promoção de acompanhamento psicológico para todos. Desse modo, tal conjuntura é incabível e merece um olhar mais crítico a fim de sua dissolução.

Em primeira instância, é válido salientar que costumeirame pais geram dependência tóxica que os pais geram nos filhos é cultivada e normalizada pela sociedade. Durante a Idade Média, havia o costume dos descenentes carregarem o nome do seu pai, por exemplo “Bjorn, filho de Ragnar”, isso acontecia para que a criança tivesse a responsabilidade de ser e decidir como seu genitor; De maneira análoga, a criação moderna impõe as crianças inúmeras exigências de comportamentos e decisões embasados na familía, isso ocorre de maneira velada pelo corpo social, porém causa danos psicológicos extremos que levam a formação de pessoas inseguras e dependentes. Logo, a família tem o papel de preparar os filhos para a vida independente e a dependência normalizada é nociva e contrária a isso.

Ademais, cabe salientar que a falta de acompanhamento psicológico perpetua que casos, como o de “Encantada”, aconteçam. Em conformidade com o psiquiatra Carl Jung “Até você se tornar consciente o incosciente irá dominar sua vida”. Em outras palavras, é necessário confrontar a dor de estar em uma relação tóxica para reconhecê-la e superá-la e, para isso, é necessário que um profissional qualificado acompanhe e identifique as vítimas. Dessa maneira, é necessário que haja acesso a psicólogos e psiquiatras para frear problemas familiares como os supracitados.

Depreende-se, portanto, a necessidade da adoção de medidas para mitigar as relações nocivas no âmbito familiar. Para tanto, urge que o Ministério da Saúde- promulgador do bem-estar social e da saúde mental- torne obrigatória a presença de psicólogos em todas as escolas públicas do país que objetivem-se a realizar atendimentos individualizados, palestras coletivas com pautas como “preciso tolerar que meus pais me tratem assim?” e “quem sou eu?” para que formule-se jovens conscientes e livres de danos psicológicos causados pela família. Somente assim, relações como a de “Encantada” só existirá na ficção.