A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 10/07/2022
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. A afirmação atribuída a filósofa francesa Simone de Beauvoir se encaixa perfeitamente na realidade da aceitação de problemas familiares e relacionamentos tóxicos com pessoas da família, já que mais escandalosa do que a ocorrência dessa proble-mática é o fato da população se habituar a essa realidade e normalizar o convívio com pessoas que geram esmorecimento mental.
Em primeiro plano é imporante citar que devido ao patriarcado ter normalizado a conduta de liberdade de expressão para membros no âmbito da família, isso cria um espaço confortável para que pessoas do grupo familiar exprimam opiniões que normalmente não manifestariam se não tivessem tal liberdade, gerando uma realidade na qual as pessoas que são vítimas de preconceitos e discriminações dentro do âmbito familiar tem que suportar essas práticas por causa da supervalorização dos laços sanguíneos.
Em uma segunda análise é importante citar que com a normalização de condutas agressivas e preconceituosas por parte da família é gerado um quadro de falta de empatia na esfera familiar idêntico ao citado pelo escritor José Saramago na sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, no qual o indivíduo não se sensibiliza perante a situação difícil enfrentada pelo próximo, tornando mais difícil a problemática em que há a regulamentação desse tipo de atitude.
Portanto, tendo em vista a melhoria da saúde mental da sociedade cabe ao corpo social uma evolução para que não intercorra a negligência de problemas famíliares, através de reuniões famíliares e terapia psicológica, afim de evitar essa normalização e para que a sociedade se distancie cada vez mais do ensaio sobre a cegueira teorizado por Saramago.