A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 11/07/2022
Segundo a “Lei da Inércia”, de Newton, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da física, é possível perceber a mesma condição no que concerne os problemas familiares ignorados devido à supervalorização dos laços sanguíneos na sociedade brasileira. Nessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude da falta de debate e da formação familiar.
Em primeiro plano, é preciso atentar para a ausência de debate presente na questão. Nesse espectro, a professora universitária Djamila Ribeiro explica que é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Porém, há um silenciamento instaurado na valorização dos laços sanguíneos, visto que pouco se fala dos impasses familiares que são ignorados por indivíduos da mesma linhagem, tratando o tema como algo supérfluo. Assim,urge tirar essa situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da formação familiar. Sob esse viés, o sociólogo Talcott Parsons defende que a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica, a problemática da ignorância de problemas familiares devido a presença de laços sanguíneos demonstra-se como um pensamento passado de geração em geração, o que dificulta seu extermínio por forças externas, já que o problema encontra-se dentro das casas brasileiras e estende-se por uma longa linha do tempo.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental, portanto, a criação de ações que popularizem o efeito que os antepassados têm sobre a forma de pensar da sociedade atual, pelo Ministério da Cidadania, em parceria com o Ministério Público. Tais ações devem ocorrer por meio de vídeos nas redes sociais sobre a importância e a responsabilidade que a família tem na formação de uma opinião coletiva e dos indivíduos como seres singulares, além de relatos de experiências, dados estatísticos, visando a quebra de paradigmas socialmente alimentados.