A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 18/07/2022
Se espera que o papel da família seja de: educar, acolher, incentivar e prote-
ger os seus membros. Entretanto, em 2018, dois terços dos abusos sexuais sofri-
dos por crianças, aconteceram “dentro de casa”. Nesse contexto, além da violação
sexual, outro problema familiar que costuma ser ignorado pela sociedade, em vir-
tude da supervalorização dos laços sanguíneos, é a violência de gênero.
Nesse viés, a glamourização das relações familiares, pela sociedade, tende a camuflar a realidade da família, muitas vezes de agressão e invasão da integrida-
de física e moral da criança, deixando de ser uma relação “natural” e eterna. Assim como, descrito por Alain Didier-Weill: “Ela é o teatro de uma tragédia, da qual cada
um de nós é um ator, seja como dominante ou dominado, assassino ou vítima. Lo-
go, quem deveria proteger, acaba por ser tornar o própio agressor, tendo em vista que a grande maioria das violências sexuais sofridas por menores é praticada pelo pai, padrastro ou avô.
Além disso, outra problemática que passa despercebida pelo meio social, que tem como foco os papéis familiares, é a violência de gênero, visto que, desde muito cedo as mulheres são ensinadas como devem se vestir, agir e até pensar. O
mesmo não acontece com o sexo masculino, que tem livre as suas vontades e pensamentos. A relação familiar regida pelo patriarcado, cala e diminui a figura feminina, como, segundo Heleieth Sattori: “O poder tem duas faces, a potência e a
impotência, o homem está destinado à potência, e as mulheres são socializadas para conviverem com a impotência. Assim, há a imposição do lugar do homem co-
mo provedor, forte em relação ao pepel de “dona de casa” atribuído à mulher.
Em síntese, no combate à romantização social dos vínculos de sangue que
tanto ignora problemas familiares, faz-se importante que o Ministério da Educação,
forneça às escolas, por meio de material didático, educação sexual. Destarte, é imperiosa a orientação de como os menores devem nomear suas genitálias, visto que auxilia na identificação de abusos sexuais. Assim como, o governo, em parceria com instituições de ensino, públicas e privadas, originar campanhas de conscientização direcionadas à família, acerca das características que embasam relações familiares saudáveis.