A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 20/07/2022

A visão do sociólogo Émile Durkheim sobre a família -instituição indispensável da sociedade e importante componente da estrutura social-, permite a compreensão de que esta é fundamental na construção social do indivíduo. Porém, a supervalori- zação desta acaba por camuflar os problemas na relação que possam vir a surgir, dentre eles, o abuso físico e psicológico, agessões e exploração parental, por exemplo. Dessa forma, é imprescindível analisar como a superestimação dos laços sanguíneos leva o corpo social a ignorar os problemas familiares, por meio da falta de conhecimento sobre o assunto, além da falta de apoio que as vítimas possuem.

Em um primeiro aspecto, é importante pontuar que, de acordo com o neurologista Sigmund Freud as influências que uma criança recebe ao longo de seu crescimento apresentam reflexos duradouros, e, por isso, devem ser precisas e cautelosas. Diante dessa reflexão, podemos perceber no filme norte-americano “Matilda“ a exposição do que não deve ser feito na criação de um indivíduo, isto é, a desvalorização do aprendizado, a falta de proteção e afeto, e até mesmo o abandono infantil. Logo, não só curtas como este, mas também, o debate nas escolas com psicólogos e os pais podem educar os mesmos sobre o tema.

Sob outra ótica, pouco se é discutido sobre o abuso sexual sofrido pelas vítimas cometido por seus familiares. Essa situação gera o medo da denúncia e o questio- namento interno de quem sofre: se deve realmente achar a situação errada, ou relevar pela valorização dos laços sanguíneos existentes. Podemos observar essa problemática na obra televisiva “Totalmente Demais“, que não podia ser mais real, pois esta retrata o sofrimento de uma jovem que é assediada diaramente pelo seu pai e vive em condição de medo sem denunciar. Aliado a essa perspectiva pouco apoio é dado as vítimas, gerando ainda mais a ocultação do fato atual.

Portanto, é crucial que algo seja feito para evitar que se ignorem os problemas familiares. Dito isso, o Ministério da Educação fica responsável por promover o conhecimento sobre o tema, por meio da imposição de aulas que debatam e incentivem a denúncia de relações familiares abusivas. Além disso, os psicólogos que atuam nas escolas devem estar sempre em contato com os pais, notando alguma irregularidade. As ações devem ocorrer para que se resolva a situação.