A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 20/07/2022

Entre a classe de animais a que os humanos pertencem, os mamíferos, é comum o cuidado e proteção do casal genitor para com as crias. É essa relação de zelo que culturalmente é pregada pela sociedade, tornando mais difícil a identificação e posterior libertação de atos tóxicos desenvolvidos dentro do seio familiar.

Dentro da área da psicologia, aborda-se como comportamento tóxico um leque de possibilidades, que abrangem desde agressões físicas e até verbais - traços esses que, muitas vezes, se manifestam entre relações consanguíneas. Estruturalmente, ensina-se que, pelo núcleo familiar tratar-se da origem do indivíduo, este é, portanto, sua raiz e jamais deve ser renegada. Dessa forma, dificulta-se a identificação de comportamentos nocivos entre seus parentes, resultando em uma geração mentalmente doente e omissa, incapaz de denunciar casos de violência doméstica - permitindo, por vezes, que o episódio termine em óbito.

Por conseguinte, as vítimas de laços familiares tóxicos tornam-se coniventes das situações que vivemciam - se é educada por gritos ou, se é tratada com violência na infância, é mais provável que aceite conviver com tais comportamentos por toda vida, na grande maioria de seus relacionamentos, presa em um ciclo de violência em que é incapaz de se libertar.

Diante do exposto, urge a necessidade de ação por parte do Ministério da Saúde em tornar o acesso ao tratamento da saúde mental acessível e de qualidade a