A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 26/07/2022
Em um trecho da autobiografia de Graciliano Ramos, o livro “Infância”, ele retrata que foi açoitado pela mãe por uma corda com um nó. Mesmo com as costas sangrando ele afirma que não ficou com raiva da mãe, mas do nó na corda. Tendo isso em vista, observa-se que problemas familiares tendem a ser relativizados, à medida que a supervalorização dos laços sanguíneos levam a sociedade a ignorar tais problemas devido fatores culturais.
Primeiramente, faz-se necessário ressaltar a ausência de medidas governamentais para o combate à relativização de problemas familiares. Relacionamentos amorosos tóxicos são comuns na atualidade, sendo eles bem relevantes na mídia. Porém, quando o relacionamento tóxico é familiar, acaba sendo bem mais difícil percebê-lo. Segundo o psicólogo Homero Belloni, isso se deve ao fato de que a família é a primeira relação social que o indivíduo tem após o nascimento, e inconscientemente a a mente tentará restringir todo sentimento tóxico advindo do ambiente familiar para protegê-lo.
Em segunda análise, é interessante atentar-se ao fator cultural construído em torno do ambiente familiar pela sociedade. A concepção de família traz um estigma de que o conforto e a segurança de seus membros está garantida, assim como o artigo 6° da constituição também prevê a garantia desses direitos. Porém, a realidade configura-se diferente de tal estigma, de forma que mães narcisistas, também conhecidas como genitoras tóxicas, utilizam-se de abuso físico e emocional contra seus próprios filhos, comprometendo assim o direito de segurança e conforto previstos em lei.
Portanto, faz-se necessário que o governo, através do Ministério da Saúde, promova medidas governamentais como campanhas públicas que visem o combate da relativização dos problemas familiares mediante à supervalorização dos laços sanguíneos. Isso deverá ocorrer por meio de publicidades e anúncios que estimulem uma mudança cultural gradativa, a fim de que as pessoas identifiquem e saiam fora mais facilmente de relacionamentos familiares tóxicos e abusivos. Dessa forma, a questão da supervalorização dos laços sanguíneos poderá ser superada juntamente com os problemas advindos dela.