A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 25/07/2022

Gilberto Freyre, polímata e sociólogo brasileiro, atesta em sua obra “Casa-Grande e Senzala” que não se pode compreender um povo sem estudar sua célula-mãe, a família, a instituição mais fundamental e importante. A partir dessa perspectiva, torna-se notório que a valorização dada aos laços consanguíneos não resulta nos problemas familiares, mas que estes que são condicionados ao seu descrédito e imoralidade generalizada de seus membros.

Sob esse viés analítico, primeiramente destaca-se o grande estigma causado nas relações de parentesco a partir da década de 1960 com a Revolução Sexual, que desapropriou a reprodução humana do núcleo familiar, dessacralizando o seu produto. Desta maneira, o contexto gerado destaca-se com os incontáveis casos de omissões parentais - falta de assunção filial e de deveres -, divórcios, adultérios e outras problemáticas que acabaram por desvalorizar completamente os laços que uniam os lares. Conclui-se, portanto, as más consequências do demérito da família na atual conjuntura.

Outrossim, o desleixo em que se trata hodiernamente a doutrinação moral individual contribui para trágicos eventos dentro das próprias casas. Assim sendo, casos tão frequentes de estupros parentais, homicídios intrafamiliares e outros diversos crimes se dão pela desatenção em incutir na sociedade uma educação eficiente de princípios e valores que governem suas ações conforme o bem comum. Evidencia-se, com isso, o caos ocasionado pela negligência do ensino moralizante.

Dado o exposto, cabe às autoridades do Estado revigorar a instrução para a integralidade de caráter social, por meio da promoção de conferências públicas realizadas por especialistas na área psicológica, a fim de reafirmar os fundamentos morais em todos. Além disso, deve-se, pelos mesmos mecanismos, reforçar-se ainda mais o valor da interligação por laços consanguíneos, unindo mais estreitamente as relações familiares. Destarte, obteremos lares felizes e uma população mais consciente da importância de seu reto comportamento, tornando o objeto de estudo mais fundamental de Gilberto Freyre, a célula-mãe populacional, um ponto de agradável explanação.