A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 10/08/2022

Aldous Huxley defende: “Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados”. Tal perspectiva é verificada na supervalorização dos laços sanguíneos, o que gera uma dificuldade em enxergar questões familiares alarmantes. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um complexo problema, que se enraíza no silenciamento e na formação famíliar.

Nesse cenário, em primeiro plano, é preciso atentar para o silenciamento presente na questão. De acordo com a filósofa brasileira Dijamila Ribeiro, é necessário tirar os problemas da invisibilidade para, assim, encontrar soluções. Segundo essa afirmação, más condutas dentro do espaço familiar carecem da devida atenção e debates necessários, o que, consequentemente, gera uma neblina acerca do assunto que acaba perpetuando o sofrimento de milhares de indivíduos.

Além disso, cabe ressaltar que a formação famíliar é um forte empecilho para a resolução do problema. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica, a problemática da hipervalorização parental apresenta-se como um pensamento passado de geração em geração, o que dificulta seu extermínio por forças externas, já que o problema encontra-se dentro das casas das pessoas brasileiras e estende-se por uma longa linha do tempo.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental, portanto, a criação de ações que popularizem os efeitos que os elementos que constituem a família têm sobre a forma de pensar e agir de nossas crianças e adolescentes, pelo Ministério da Educação, em parceria com o Ministério Público. Tais ações devem se dar por meio de vídeos nas redes sociais sobre a responsabilidade e a importância que o ambiente doméstico tem na formação de uma opinião coletiva e dos indivíduos enquanto seres singulares, além de relatos de experiência, dados estatísticos, visando a quebra de paradigmas socialmente alimentados. Dessa forma, a máxima de Aldous Huxley seria devidamente usufruída, gerando impactos positivos na realidade brasileira.