A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 13/08/2022
De acordo com o conceito criado pelo sociólogo Pierre Bourdieu, a “Violência Simbólica” é uma forma de agressão exercida sem coação física, causando danos morais e emocionais. Diante disso, pode-se relacionar tal conceito, com o cenário atual, com as atitudes dos pais sobre os filhos. Nesse sentido, é necessário entender que há uma supervalorização dos laços sanguíneos, a qual omite um problema familiar. Dessa maneira, dentre as possíveis razões merecem o destaque os danos à saúde mental que tal problema causa, bem como o silenciamento.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que desde dos primórdios é enraizado o pensamento de que a família é primordial, a qual sempre estará presente com o seu amor incondicional. Contudo, há inúmeros casos de gravidez indesejada, mães que se arrependem, ou até mesmo parentes que acham que a criança foi um “erro” e por conta disso cria uma relação mais conturbada, ao invés de amorosa. Dessa forma, quando o indivíduo não se sente amado pela sua própria família, esse pode desencadear uma série de problemas, como a depressão, insegurança, ansiedade e o complexo de que precisa chamar atenção de alguma forma, mesmo que a tal seja negativa. Por conta disso, pode-se perceber como é fundamental um convívio social acolhedor, para que não haja o desenvolvimento de nenhum transtorno mental.
Ademais, é necessário destacar que há um silenciamento em relação a supervalorização familiar. Uma vez que, ainda há a frase “toda família tem problema”, a qual impõe que a única coisa certa a se fazer é aceitar. Em vista disso, diversas pessoas são submetidas a relacionamentos tóxicos com seus familiares e quando não são assistidas apropriadamente, sofrem caladas as consequências. Por exemplo, no filme “Precisamos Falar Sobre Kevin”, os pais, mesmo observando a psicopatia infantil do filho -desencadeada pela negligência amorosa de sua própria mãe-, desprezaram a gravidade da doença.