A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 16/08/2022
Embora a Constituição brasileira de 1988 garanta o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro, tal teoria não tem sido vista em metodologias práticas, uma vez que laços familiares tóxicos podem prejudicar a sanidade mental de um indivíduo, levando-o a desenvolver possíveis quadros depressivos. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos: o descaso do governo e a cultura religiosa.
Diante desse cenário, é válido destacar a negligência estatal como principal impulsionadora do problema apresentado. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira não é funcional, visto que, apesar de ser completa na teoria, ela não é colocada em ação. Prova disso é a ausência de medidas governamentais eficazes voltadas à garantia de direitos importantes como a saúde, dado que em muitas famílias existem relações problemáticas e violentas que afetam o bem-estar de uma pessoa saudável. Como resultado, esse indivíduo poderá se tornar uma pessoa violenta e depressiva.
Outrossim, é essencial citar o cristianismo como potencializador da questão em debate. Sob esse viés, é possível relacionar tal tese a um dos mandamentos presentes na bíblia, livro sagrado para os cristãos, no qual é dito que deve-se honrar o pai e a mãe para se ter vida longa, o que leva muitos religiosos a supervalorizar os laços familiares como consequência do medo de um castigo divino. Nessa perspectiva, muitos indivíduos se aproveitam de tal conceito cultural para abusar das relações parentais, e a vítima aceita tal situação por esse laço problemático ser socialmente normalizado.
Portanto, o Estado, órgão governamental mais importante do país, deve incentivar campanhas de denúncia de violência dentro de casa, com o apoio da mídia televisiva na informação civil. Por meio de um projeto de leis a ser entregue à Câmara dos Deputados com a finalidade de tornar possível que as autoridades tomem medidas cabíveis contra o abuso. Além de implementar nas escolas palestras de conscientização acerca da supervalorização de laços sanguíneos. Espera-se, com isso, que a questão do silêncio frente à violência seja freada.