A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 20/08/2022
O filme norte-americano “Tudo e Todas as Coisas” aborda a história de Maddy Whittier, uma jovem que viveu sua vida trancafiada em casa, pela superproteção de sua mãe. Fora da ficção, no Brasil, muitos jovens são coagidos a conviver em relações familiares tóxicas, devido a cultura de supervalorização da família, o que acarreta danos psicológicos entre eles. É cabível, portanto, analisar tais aspectos e elaborar uma medida que solucione a mazela no país.
Inicialmente, é importante destacar que a falta de debate sobre o tema contri-bui para a manutenção da problemática. Para isso, o sociólogo alemão Jürgen Ha-bermas dizia que o diálogo é uma importante ferramenta de transformação social e política. Assim, é possível relacionar a teoria à valorização exacerbada da família na sociedade brasileira, na medida em que essa entidade é considerada sagrada por grande parte dos cidadãos e, pela não desconstrução desse imaginário (feita por meio da dialogação), pessoas são forçadas a conviver com familiares tóxicos.
Como consequência, os índices de depressão e suicídio entre jovens são preo-cupantes. De fato, um levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde aponta que o suicídio é a 3° causa de morte entre indivíduos com idade entre 15 e 29 anos. Com isso, é possível perceber que tais relacionamentos são extremamen-te prejudiciais à saúde mental dos cidadãos, uma vez que esses não têm outra opção, senão manter a convivência com a família, devido a culpa que sentiriam se fizes-sem o contrário, como no caso de Maddy Whittier.
Sob essa perspectiva, cabe ao governo federal tomar iniciativas que solucionem a questão no país. Para tal, ele pode agir por meio do Ministério da Educação e apresentar, nas instituições de ensino, palestras acerca do tema, além de oferecer profissionais em tempo integral, a fim de elucidar a questão aos jovens e os ajudar a lidar com os conflitos familiares. Dessa forma, será possível conter os impactos negativos da supervalorização dos laços sanguíneos e promover maior bem-estar à toda população brasileira.