A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 23/09/2022
No livro “É assim que acaba”, Colen Hoover, a mãe da protagonista sofre de abusos feitos pelo marido, mas ambas suportam a situação pois compartilham uma ideia de que não importa o que aconteça eles são família. Fora da ficção, refletir sobre a supervalorização dos laços sanguíneos é imprescindível, uma vez que essa atitude leva a sociedade a ignorar problemas familiares. A citar, tanto pelo preconceito enraizado no corpo social, como também pelos traumas, abusos e transtornos que são deixados em muitos lares.
Em primeira análise, é fato que foi durante a antiguidade que a base do que hoje é chamado de família foi formulada. Por esse motivo, essa herança histórica trouxe para a sociedade atual uma ideologia ultrapassada e que muitas pessoas ainda compartilham dela. A exemplo disso, durante o crescimento de uma criança é possível observar comentários como “família é a de sangue”, “você só tem um(a) pai/mãe”, entre muitos outros. Desse modo, acabam gerando um tipo de preconceito com outros formatos familiares e fomentam a aceitação de comportamentos abusivos vindos dos parentes.
Outrossim, as leis relacionadas a família brasileira são consideradas preconceituosas, já que estas supervalorizam os laços sanguíneos acima de tudo e negligenciam o afeto. Dessarte, segundo o Cadastro Nacional de Adoção, menos de 15% das crianças estão aptas a adoção no país. Além disso, as autoridades esquecem que a maioria delas está lá por não ter um lar adequado, por sofrer maus tratos ou não ter condição de sobrevivência. Nesse contexto, a busca pela família e a tentativa de reinserir esses indivíduos nos lares originais, fazem com que percam oportunidades de receber amor, carinho e até uma educação melhor.
Desta feita, ações governamentais movidas pelo Estado em parceria com o Ministério da Educação, faz-se no direcionamento de verbas para campanhas em escolas e nos veículos midiáticos com o intuito de promover os vários tipos de família, o respeito e também incentivar denúncias relacionadas aos abusos nesses núcleos. Assim, criando oportunidades para pessoas como a do livro citado anteriormente escaparem desse contexto traumático e facilitando sua reinserção na sociedade.