A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 13/09/2022

No livro “Um milhão de finais felizes”, o personagem Jonas vive em um ambiente conturbado, e após seu pai descobrir que ele é gay, o jovem passa a ser humilhado e ofendido. Apesar disso, sua mãe tenta convencê-lo de que é apenas preocupação e passa a encobrir as atitudes do marido. Fora da ficção, no Brasil, as relações familiares foram socialmente construídas para serem preservadas independente de sua toxicidade. Nesse contexto, faz-se necessário discorrer acerca da influência social e a romantização familiar que protagonizam o revés.

Sob primeira análise, é importante expor a influência que a sociedade exerce sobre o corpo familiar. Dessa forma, vale analisar o significado da palavra família, a qual se refere a um conjunto de pessoas que possuem grau de parentesco ou laços afetivos. Nesse viés, a sociedade procurou meios de fazer esse laço não ser rompido, através de discursos apelativos com intuito de gerar comoção, não permitindo que vítimas de abusos se desvencilhem de seus parentes, apenas por compartilharem o mesmo sangue.

Ademais, é imprescindível pontuar como a romantização de laços familiares pode impactar negativamente um indivíduo. Dessa maneira, vale relembrar o conceito de violência simbólica, do Filósofo Pierre Bourdieu, o qual aborda um tipo de violência não física que pode causar danos morais e psicológicos. Diante do exposto, as ideias Bourdianas revelam que, no cenário brasileiro, a romantização do convívio familiar leva boa parte do corpo social a aceitar essa violência, muitas vezes expressada em gestos como o citado pelo pensador, contribuindo para o surgimento de danos cognitivos, como depressão e ansiedade e afetando o convívio social.

Portanto, urge a necessidade de mitigar os problemas ocasionados pela supervalorização das relações familiares. Para tanto, cabe à escola realizar palestras com psicólogos, por meio de debates e cartilhas que demonstrem a importância de reconhecer atitudes prejudiciais, a fim de diminuir os impactos da adversidade. Além disso, campanhas publicitárias devem ser protagonizadas para exibir a diversidade que o conceito de família pode possuir. Logo, os embaraços de Jonas serão amenizados.