A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 13/09/2022
Reconhecida pelo artigo 266 da Constituição Federal, a família é vista como base da sociedade brasileira. Dada a sua importância, faz-se presente em todas as esferas de um cidadão e infelizmente, tem sido supervalorizada em situações de ambiente familiar hostil. Não deveria ser colocada como priorizade em relações abusivas, mas o estigma religioso de subserviência atrelado a uma concepção errônea sobre respeito justificam a problemática.
Primeiramente, o estigma religioso de subserviência atrelado as famílias brasileiras supervaloriza laços sanguíneos. De acordo com o capítulo de Êxodo na Bíblia, no versículo 20, deve-se “honrar o pai e a mãe para que tenhas vida eterna”. Tal máxima é levada a níveis extremos quando é colocada acima de qualquer comportamento hostil que algum familiar tenha para com seus parentes, principalmente os que não são capazes de obterem o próprio sustento. Consequentemente, crianças e adolescentes que passam por situações abusivas se veem tolhidas de contestação, por acharem que isso seria desonrar um parente.
Além disso, a concepção errônea que é feita sobre respeito acaba contribuindo para a supervalorização. Segundo o dicionário Aurélio, o verbete “respeito” tem como significado “consideração ou reverência” e diante disso, como todas as relações interpessoais, é esperado uma reciprocidade diante dos seus praticantes. Infelizmente, as relações familiares colocam o respeito como algo unilateral diante dos laços sanguíneos e isso prejudica em suma os brasileiros que estão na parte vulnerável desses relacionamentos e dessa maneira, os problemas familiares são sobrepostos ao exercício de um respeito que não só é interpretado errado, como também é colocado a serviço de uma hierarquia de gerações.
Portanto, medidas que solucionem a problemática fazem-se necessárias. Por intermédio do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, o Governo Federal deverá oferecer apoio financeiro e psicológico para pessoas que tenham vivido relacionamentos abusivos cometidos pelos familiares, a fim de auxiliar vítimas de situações agressivas. Além disso, com o Ministério da Educação, deverá fornecer material educativo sobre respeito propriamente dito aos brasileiros por folhetos e pela internet. Dessa forma, os brasileiros estarão melhor assistidos.