A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 19/09/2022
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), adotada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1948, garante a todo cidadão o direito à liberdade e vida digna. Dessa forma, é dever do Estado proporcionar meios para alcançar o bem-estar social. Todavia, no Brasil, a sociedade ignora problemas familiares por supervalorizar laços sanguíneos, causando tanto violência psicológica e física, quanto a omissão de crimes.
Sendo assim, a priori, o homem já nasce com duas capacidades sociais: a sociabilidade, que remete a vida cotidiana em um meio social e a socialização, a qual é a incorporação de características de pessoas de um mesmo grupo. Nessa lógica, segundo o filósofo Michel Foucalt, o homem é um ser “biopsicossocial”, o qual necessita que esses três fatores - físico, mental e social- sejam estimulados de forma harmônica para um desenvolvimento saudável do indivíduo. Assim, a família, como instiuição social, é relevante para o ser humano e supervalorizar o laço sanguíneo abre espaço para violência velada, como discriminação, gordofobia
e LGBTfobia, sendo prejudicial ao psicológico da pessoa.
Em segunda análise, supervalorizar laços sanguíneos também facilita na omissão de crimes, uma vez que a família não denuncia para que parentes sofram as consequências dos atos. Um exemplo disso foi reportado no canal de notícia G1.com, o qual apurou os fatos de uma criança de 11 anos foi vítima de um estupro e engravidou, sendo o tio o suspeito protegido pela família. Logo, o que se observa é que colocar a família acima de tudo é prejudicial para os mais vulneráveis, uma vez que são descredibilizados e não possuem apoio familiar.
Em vista disso, para evidenciar problemas familiares sem tirar a importância desse laço, cabe ao Estado, ligado as mídias sociais, promover campanhas nas comunidades em que expliquem como o psicológico é afetado com jugamentos familiares, a fim de combater e conscientizar sobre preconceitos. Somado a isso, as escolas, juntas com o ECA, devem capacitar os profissionais da educação para que sejam capazes de saber quando uma criança sofre violência e denunciar,