A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 22/09/2022

Ambiente familiar: tradição ou submissão

De acordo com a sociologia brasileira, família é considerada a instituição respon- sável pelo desenvolvimento do indivíduo, de modo a exercer papel vital na forma- ção emocional e social. Tal fato, entretanto, é intercedido por atitudes danosas à relação familiar que, mesmo presentes em muitos lares, são banalizadas e justifica- das por laços sanguíneos. Dessa forma, o contexto histórico estrutural e as conse- quências à saúde psíquica tornam alarmante o crescente aumento da problemá- tica no país.

Diante desse cenário, os reflexos da sociedade estamental perduram na contem- poraneidade. Nesse viés, assim como no Brasil pós-colonial, o patriarcalismo corro- bora a idealização desse corpo social, uma vez que a educação é pautada em valo-res familiares, visando a boa conduta externa. Consequentemente, como destaca- do por Rousseau, “o ser humano é produto do ambiente em que você vive”, o qual evidencia que hábitos de submissão permanecem nas seguintes gerações por meio de atitudes tóxicas, como classificadas na atualidade, e de difícil reconhecimento, já que se tornam corriqueiras no cotidiano dos cidadãos.

Ademais, os problemas socioemocionais originados por atritos entre vínculos afe-tivos afligem a população. Nesse contexto, comportamentos ofensivos de familia- res, próximos ou não, afetam o sistema nervoso que, por indução, desenvolve transtornos mentais como ansiedade e depressão, à exemplo disso, a inserção do Brasil, realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ao mapa dos países mais ansiosos do mundo. Assim sendo, mostra-se clara a importância de um posi- cionamento proferido ao outro de maneira respeitosa, independente do vínculo.

Portanto, medidas que visam intervir no ciclo de desrespeito parental são funda- mentais ao país. Para isso, o governo federal, por meio do Ministério da Educação, deve introduzir acompanhamento psicológico qualificado nas instituições de ensi- no- a começar pela infância- a fim de ensinar a combater e reconhecer qualquer abuso psicológico, objetivando o tratamento. Com isso, transformar a família como instituição à exemplo dos indivíduos, além de evitar consequências mentais nega- tivas ao longo do território nacional.