A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 28/09/2022

Na música de Belchior, “Como nossos pais”, há uma denúncia sobre o valor a acontecimentos do passado, enquanto ignora-se os problemas do presente. Não distante da crítica musical, a realidade brasileira se aproxima da supracitada quan-do supervaloriza as relações sanguíneas em detrimento dos impasses existente nestas, omitindo-os em prol da boa aparência social. Diante disso, cabe analisar o que motiva essa omissão - contexto cultural e o efeito dessa negligência - traumas.

Nesse sentido, o que tem motivado a percepção de que os problemas familiares devem ser omitidos pelo bem desse laço é a conjuntura cultural e educacional. Isso acontece porque é disseminada historicamente a ideologia de supervalorização da família: ela deve ser perfeitamente estável (ou aparentar isso). Por esse viés, se-gundo a historiadora Lilia Schwarcz, é comum, desde o Período Colonial, uma cons-trução de narrativas suavizadas entre relações sociais autoritárias, como forma de minimizar o contexto real que elas estão inseridas. Assim, entende-se que esse ide-ário de estabilidade ainda permeia na sociedade brasileira porque ele não é “des-construído”, amplamente es-colas com debates e visibilidade necessária à pauta.

Outrossim, é imperativo pontuar que superestimar as relações sanguíneas e negligenciar a resolucão dos problemas que existem nesse núcleo social com o fito de agradar outrem, pode reverberar em consequências psicológicas às vítimas des-sa ignorância. Nessa perspectiva, cabe citar a ideia, mencionada no livro “A coragem de não agradar”, do psicologo Alfred Adler, que diz: deve libertar-se de paradigmas sociais e da necessidade de aceitação para viver livre de emoções negativas no pre-sente. Então, nota-se que uma vida negligente aos problemas familiares, aprisiona o ser em um padrão a “ser seguido” que o impede de se desenvolver plenamente, sem significativo desgaste emocional causado por tal.

Portanto, depreende-se a necessidade de aniquilar essa supervalorização das re-lações de parentesco e lidar problemas que ali existem. Logo, cabe ao Ministério da Educação promover um projeto, nas escolas públicas e particulares do país, por meio de psicólogos e professires de Sociologia, o qual seja realizado um debate junto aos alunos, para que neste eles compreendam sobre a importância de en-frentar as dificuldades familiares com ajuda e não ignorá-las por aparência.