A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 07/10/2022

As relações familiares existem desde os tempos mais remotos. Nesse sentido, foi por meio desses relacionamentos que a humanidade conseguiu evoluir para as conexões atuais. A partir disso, cria-se um juízo de que a família é essencial e deve ser respeitada. Todavia, esse pensamento promove a normalização de problemas familiares, os quais prejudicam a saúde mental e a autoestima dos jovens, gerando um ciclo vicioso, que precisa, urgentemente, ser quebrado.

De início, vale ressaltar que o meio familiar é o responsável por grande parte do desenvolvimento do indivíduo, já que ele expressa aquilo que vive. Logo, a falta de afeto vinda da família de um jovem gera defasagens no crescimento dele. Desse modo, a mínima demonstração de amor vinda de outro alguém é supervalorizada, gerando a aceitação de relações abusivas. Tal situação ocorreu com a escritora Colleen Hoover, a qual saiu de uma família disfuncional, pois a mãe era agredida pelo marido, e entrou em uma relação abusiva. A história da autora, que originou o livro “É Assim que Acaba”, mostra os efeitos de se ignorar os problemas familiares.

Ademais, é importante frisar que essa supervalorização provém de uma ideia enraizada na sociedade. Nesse âmbito, ensinamentos religiosos - de que se deve honrar pai e mãe - passam de geração para geração sem haver preocupação com os efeitos deles. Devido a isso, o filho é ensinado a honrar os pais em qualquer situação, criando um ciclo vicioso, que mascara os problemas familiares e perpetua o respeito ao desrespeito. Tal conflito ocorre com Miguilim, personagem da novela “Campo Geral” de Guimarães Rosa, que, rodeado pelo medo do pecado, sente que deve amar o pai, mesmo quando esse é violento e pouco afetuoso.

Em suma, a supervalorização de laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar os problemas familiares. Dessa forma, o Ministério da Educação deve elaborar campanhas - que circulem em todos os veículos midiáticos e espaços públicos -, as quais informem o que é tal supervalorização e como ela pode afetar a população. Essa ação deve ser feita por meio de reuniões com especialistas para que as campanhas sejam eficientes, acessíveis e de fácil compreensão. Espera-se, assim, quebrar o ciclo vicioso e libertar as pessoas de uma supervalorização que causa vários prejuízos à saúde mental delas.