A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 08/10/2022

Em sua obra literária, “Ensaio Sobre a Cegueira”, José Saramago relata uma cegueira social, onde apenas a personagem principal consegue ver os problemas do mundo e as demais pessoas não. Diante disso, percebe-se que a supervalorização dos laços sanguíneos faz com que a sociedade evite os problemas existentes dentro do convívio familiar. Sob esse viés, podesse apontar os conflitos presentes na atual família britânica, como a morte da princesa Diana e os problemas conjugais da princesa Margaret, que são esquecidos quando são expostos as câmeras.

Ainda mais, segundo A’ Gazeta, 80% dos estupros contra crianças e adolescentes são cometidos por parentes. Analogamente, o drama estadounidense “Preciosa - Uma História de Esperança”, a pernonagem principal é abusada pelo próprio pai, e acaba engravidando duas vezes, sua mãe não acredita na mesma e a trata com indiferença e ninguém a ajuda a sair de seu lar inóspito. Uma vez que é sabido que o agressor é o próprio parente com quem convive todos os dias, a ideia dessa pessoa ser alguém violento e abusivo é refutada automaticamente.

Outrossim, é notório que os ideais religiosos são outro fator que leva a sociedade a ignorar os problemas entre família. De acordo com o quinto mandamento de Deus, devemos honrar pai e mãe. Entretanto, na perspectiva da família em geral, não é isso que é observado, na série da Netflix, “Bom dia, Verônica”, uma das personagens secundárias é líder de uma seita religiosa e exibe com orgulho sua esposa e filha. No entanto, a esposa é vítima de tortura física e sua filha de tortura psicológica.

Portanto, em síntase de que os laços cosanguíneos não são uma desculpa para que não exista violência, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos - que tem por objetivo defender as minorias e seus direitos - em parceria com o Ministério da Justiça, devem melhorar os sistema de denúncia, colocar pessoas qualificadas para atender o chamado, e criar leis mais rigorosas para os abusadores que são os próprios parentes. Crianças e jovens sentiriam-se mais seguros dentro de casa.