A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 17/10/2022

No filme John Wick, de 2014, o público é apresentado a Viggo, um mafioso que permite que seu filho, Iosef, cometa crimes sem limites ou castigo, o que termina por atrair a vingança de um indivíduo que destroe sua organização. Comparando-se esse caso com a vida real, percebe-se que no Brasil existe um senso comum de relativização de comportamentos tóxicos vindos do ambiente familiar. Portanto, percebe-se a necessidade de discutir as origens da supervalorização dos laços sanguíneos e as suas consequências nocivas para os indivíduos.

Primeiramente, deve-se destacar os porquês da força dessa cultura de se colocar a família acima de tudo. Sendo o Brasil um país religioso, e alicerçado numa história de fundamentalismo cristão, é normal existir uma mentalidade difundida pelas próprias instituições religiosas que interpreta de forma distorcida preceitos legítimos em as igrejas se alicerçam como o dever de honrar os pais e valorizar a união familiar. Um exemplo disso pode ser observado no livro Carrie, de Stephen King, cuja protagonista sofre abusos físicos e emocionais da mãe e mesmo assim considera o ato de obedecê-la como uma obrigação religiosa.

Em segunda análise, é necessário apontar o quão destrutivo é esse tipo de problema. Isso se deve à quantidade de estresse psicológico, perigo físico, e comprometimento das necessidades pessoais aos quais um ser humano é submetido ao enxergar como dever moral a convivência, aceitação e até submissão, por conta de laços sanguíneos, a indivíduos que apresentam comportamentos abusivos. Uma prova desse fato poder ser vista no documentário Na Captura dos Friedmans, que mostra um caso real de inverstigação por abuso sexual vindo de dentro do ambiente familiar vindo de pai para filhos.

Logo, nota-se que para reduzir os males da problemática supervalorição dos laços sanguíneos, providências são exigidas. O Ministério da Educação, com seu poder de estabelecer normas educacionais em nível nacional, deve; por intermédio da inserção, em todas as grades de ensino desde o fundamental ao médio, de aulas e palestras sobre abuso doméstico e como combatê-lo e denunciá-lo; ensinar os cidadãos desde jovens a reconhecer comportamentos abusivos vindos do ambiente familiar, com o intuíto da população já crescer conseguindo dicernir entre comportamentos saudáveis e tóxicos e conseguir se afastar, parcial ou totalmente, de familiares que reproduzem esse último tipo de comportamento. Assim, situações como no filme John Wick permanecerão apenas na ficção.