A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 18/10/2022
No ápice do “American dream” ou sonho americano, a família, representada por um casal heteroafetivo e seus filhos, sempre foram a base da ideologia proposta pelos norte-americanos sobre progresso e realização pessoal. Trazendo para o contexto brasileiro, o discurso “Deus, pátria e família” propagado pelo presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores só concretizam tal pensamento no país. Nisso, a idealização da família como instituição e a construção ultrapassada do seu significado são uns dos fatores que fomentam a supervalorização dos laços de sangue, o que , consequentemente, leva a sociedade a ignorar os problemas provenientes dessa esfera.
Diante disso, em um primeiro momento, a idealização da família como instituição potencializa a supervalorização dos laços sanguíneos, dado que, segundo o positivista Durkheim, a solidariedade mecânica, ou seja, o primeiro contato social do indivíduo se encontra na esfera familiar. Em razão disso, impõe uma função social fundamental na construção pessoal e em consequência, simboliza algo superior ao seu integrante, gerando um sentimento de desamparo e impotência de desconstrução.
Em um segundo instante, a supervalorização dos laços sanguíneos propagam uma visão ultrapassada do significado da familia, visto que, limitam a sua significação apenas a um tipo de relação, negligenciando outras construções afetivas. A título de exemplo, as sequências dos filmes John Wick narram a fluidez dessas construções, uma vez que após a morte da família que construiu (mulher e cachorro), ele volta atrás da líder dos assassinos russos, gangue que o adotou e acolheu, pedindo ajuda a eles como família.
Portanto, a idealização da família como instituição e a construção ultrapassada da família são uns dos fatores que fomentam a supervalorização dos laços de sangue e a ignorância aos seus problemas. Posto isso, cabe ao ministério da mulher, família e direitos humanos, por meio de palestras nas escolas , espaços públicos, e propagandas, desconstruir a imagem ideológica da familia e desestigmatizar outras construções afetivas. De modo que toda a diversidade possa ser abraçada e nenhum problema deixe de ser debatido.