A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 21/10/2022
Definida pela sociologia como o primeiro mecanismo de socialização, a família possui a função de promover desenvolvimento cultural e material das gerações mais novas. Contudo, existem situações em que a idealização dessa instituição mascara os problemas socioemocionais causados pela incidência de atritos entre pessoas ligadas por laços sanguíneos. Dessa forma, objetivando solucionar o cenário exposto, convém pontuar as heranças culturais e os fins mercadológicos como principais reforçadores dessa problemática.
Em primeiro plano, destaca-se a falta de atenção da sociedade brasileira em relação às desavenças familiares em uma análise histórico-cultural. Nesse ângulo, cabe ressaltar que, no passado, o corpo social era marcado pelo patriarcalismo, em que os pais tinham o dever de educar seus filhos, baseando-se em seus valores e nos ideais culturais vigentes na época. Por conseguinte, ainda existem pessoas que defendem a ideia de que os jovens devem ser subordinados aos seus genitores e se submeterem a vontade desses. Assim sendo, ao desvalorizar as disposições individuais das crianças, o pensamento conservador fortalece as desavenças entre familiares.
De modo equivalente, a mentalidade consumista também potencializa o impasse debatido. Assim, uma das táticas publicitárias consiste em encobrir as mazelas sociais da realidade, de acordo com Sean Baudrillard. De fato, inúmeras marcas de bens de consumo associam as mercadorias ao “momento familiar” com o propósito de atrair consumidores. Dessa maneira, em vez de fornecer visibilidade as instabilidades familiares, a mídia obscurece as temáticas relacionadas aos problemas causados por essas ocorrências.
Portanto, diante dos impasses expostos, cabe às intituições educacionais disseminar conhecimentos sobre esse tema, a fim de mitigar a invisibilidade dos tabus dentro das famílias. Esse projeto deve ser concretizado por meio de palestras apresentadas por psicólogos e pedagogos capacitados a discorrer sobre os problemas familiares com os pais e filhos, bem como mediar conflitos já existentes. Assim, será possível alcançar um país em que os problemas socioemocionais não serão mascarados pela supervalorização da família.