A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 01/11/2022
Na animação “Caroline e o Mundo Secreto”, a personagem principal é uma menina de 11 anos que encontra refúgio em um mundo paralelo, no qual seus pais são carinhosos e atenciosos, diferentemente de sua frustante e solitária realidade. Fora da ficção, muitas pessoas vivem em ambientes domésticos tóxicos, entretanto, a supervalorização dos laços sanguíneos leva esses indivíduos a ignorarem sérios problemas. Assim, a vítima é influenciada negativamente por atitudes abusivas de familiares próximos e, consequentemente, propensa a enfrentar obstáculos em relações pessoais externas.
Sob essa perspectiva, depreende-se que membros familiares tóxicos atingem diretamente o desenvolvimento de uma pessoa. Segundo Émilie Durkheim -filósofo positivista - a família é um dos pilares que influenciam a vida e os comportamentos do indivíduo. Nesse sentido, compreende-se que tanto ambientes familiares saudáveis e bem estruturados quanto aqueles problemáticos exercem influência sobre o ser humano. Entretanto, em ambos existem laços sanguíneos, logo, no segundo caso, devido à supervalorização dessa conexão a vítima ignora os problemas.
Por conseguinte, complicações diversas em relações socias e afetivas poderão aparecer na vida de uma pessoa que viveu em um ambiente familiar nocivo. De acordo com o psicólogo Jean Piaget, a criança absorve os comportamentos do grupo familiar e depois os imita em sua própria concepção durante a vida adulta. Portanto, o indivíduo leva atitudes tóxicas e inseguranças absorvidas na infância para suas relações amorosas e amizades, dessa forma, problemas de convivência e instabilidade tornam-se constantes na vida dessa pessoa.
Dado o exposto, medidas devem ser tomadas para combater o impasse. Para tanto, o Governo Federal, juntamente ao Ministério da Saúde - órgão responsável por garantir salubridade pública - devem realizar palestras de conscientização com psicólogos nos ambientes escolares, convocando a presença dos responsáveis de cada aluno, por meio de investimentos governamentais para a consolidação da prática. A fim de conscientizar e induzir os grupos familiares a comportamentos responsáveis e saudáveis na educação de crianças e jovens.