A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 02/11/2022
Os humanos são seres sociais, já dizia o filósofo grego Aristóteles, levando- se em conta esta afirmação, entende-se que a família se estabelece como a primeira instuição social do indivíduo.
Porém, diferentemente, dos damais âmbitos sociais nos quais estamos inseridos, a parentela se caracteriza como um grupo apto para opininar sobre as mais diversas decisões que uma pessoa pode vir a tomar em sua própria vida, sem que seja considerado justo que àquele alvo do julgamento se afaste ou se sinta desconfortável em tal situação, como é reafirmado pelo psicólogo Homero Belloni: “é culturalmente aceito sentir coisas positivas em relação à familia, mas sentimentos negativos e sexuais em relação a membros de um mesmo grupo familiar não são permitidos”.
Porém, o que a sociedade não leva em consideração são as sequelas tanto físicas quanto mentais que uma pessoa alvo deste tipo de violência disfarçada de opinião sofre. Os casos de problemas familiares que extrapolam a linha do respeito são diversos: filhos que são punidos vebal e fisicamente por não terem a orientação sexual que era esperada por seus progenitores, ou mesmo, meninas que crescem tendo seus corpos vigiados por mães e tias e que sentem que sua existência não tem muita impontância ou significado quando fogem do que é considerado o padrão, como aconteceu com Marcela de 32 anos que ao engordar 30 quilos foi ridicularizada pela mãe até chegar ao ponto de acreditar que a solução de seu problema pudesse ser o suicídio.
Portanto, apesar de, para a sociedade o indivíduo ter o dever moral de continuar insistindo naquilo que foi seu primeiro círculo social faz-se preciso entender que este é um fardo muito pesado para que qualquer pessoa seja obrigada a carregá-lo, a mudança desse preceito cultural é necessária, entender que não é negativo deixar para trás aquilo que lhe provoca dor. Além disso, proporcionar amparo psicológico através de profissionais em escolas, uma vez que muitas das vítimas começam a sofrer este tipo de violência ainda muito jovens e de seus progenitores, seria de grande valia, assim como o desenvolvimento de projetos que levem os pais a discussões sobre aceitamento das particularidades de cada ser.