A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 11/11/2022
O artigo 226 da Constituição Federal reconhece a família como base da sociedade e lhe assegura proteção especial do Estado. Entretanto, a supervalorização dos laços sanguíneos, quando o núcleo familiar não é saudável, pode isolá-la da ação das autoridades, cujas consequências vão da deterioração psicológica dos filhos até a violência doméstica. Nesse contexto, medidas devem ser adotadas para contornar essa situação, cujas causas são a falta de preparo dos pais e a omissão governamental.
Nesse contexto, a falta de percepção dos pais quanto à dimensão de seu papel no desenvolvimento dos filhos, aliada à sua autoridade natural sobre eles, pode levar ao descontrole. De forma complementar, Émile Durkheim, em seus estudos, identificou a importância da família como núcleo formador, tornando clara a responsabilidade dos pais. Entretanto, essa importância pode servir como barreira moral que blinda a família da interferência da sociedade, estando a família saudável ou não - circunstância que pode colocá-la em risco pela impossibilidade do Estado exercer sua ação de salvaguarda.
Além disso, embora a Constituição Federal, no citado artigo 226, assegure proteção às relações familiares quanto à violência, uma pesquisa realizada pelo Senado Federal apontou que cerca de 30% das mulheres já sofreu violência doméstica no Brasil, o que é um claro indicador da incapacidade governamental de identificar problemas ou de atuar eficazmente no âmbito das famílias, levando à omissão governamental.
Torna-se evidente, portanto, que medidas devem ser adotadas para superar os desafios acerca da supervalorização dos laços sanguíneos como barreira a ações de proteção no âmbito da família. Para isso, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos deve promover a conscientização de pais, por meio de campanhas de comunicação de amplo alcance, com a finalidade de prepará-los para o exercício de seu papel no núcleo familiar. Talvez assim, a sociedade brasileira se torne mais saudável e produtiva, com cidadãos mais bem estruturados no futuro.