A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 05/11/2023

A Constituição Federal brasileira, promulgada em 1988, prevê o direito de todo cidadão ao princípio da dignidade humana. Entretanto, em relação ao tratamento parental, observa-se o descaso na sociedade. Tal fato reflete na normalidade com que é tratada a toxidade advinda dos familiares e na falta de interesse do poder público em criar maneiras de conscientizar as pessoas sobre esse assunto.

Convém ressaltar, a princípio, que essa normalidade e tolerância com parentes é estrutural e está enraizada na sociedade. Afinal, dados estatísticos do livro “Fault Lines: Fractured Families and How to Mend Then” comprovam que 65 milhões de americanos se distanciaram de algum familiar. Um exemplo disso, são os indivíduos que, na maioria das vezes, são desrespeitados e humilhados em suas próprias residências. Isso ocorre devido a falta de limites impostos pela sociedade e, consequentemente, o descaso de alguns familiares com a saúde mental e emocional do indivíduo.

Além disso, ainda existe o desinteresse do poder público em solucionar e implementar formas que diminuam esse problema. Isso, consoante ao pensamento de Durkheim, no qual, a partir do momento em que o indivíduo se encontra na sociedade, ele passa a articular maneiras de pensar e agir, ocorre porque os cidadãos com pouca informação e conhecimento acreditam ser natural as atitudes de seus parentes.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população, urge que o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania crie, por meio de verbas governamentais, campanhas de incentivo a informação acerca dos problemas de abuso familiar, para que as pessoas tenham conhecimento sobre seus direitos. Dessa forma, a sociedade terá o embasamento necessário para evitar que a violência aumente. Adicionalmente, será possível reduzir à ignorância e incentivar melhorias para o ambiente familiar. Ademais, cabe aos órgãos executivos investir em associações de enfrentamento à violência nos lares. Assim sendo, poderá ser garantido ao cidadão a dignidade que é prevista na Constituição.