A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 05/09/2024

Certamente, é possível afirmar que a família é uma importante estrutura na formação psicossocial dos indivíduos. Contudo, a supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar os problemas familiares, sendo preciso analisar as causas e as consequências de tal comportamento.

De início, vale ressaltar que parte da população é influenciada a acreditar que a família biológica deve ser uma fonte natural e inquestionável de apoio e de afeto. Conforme os conhecimentos da História, a Igreja Católica sempre possuiu um grande poder doutrinatório por meio dos mandamentos bíblicos, conduzindo a comunidade a “honrar pai e mãe” de modo obrigatório e submisso, independente dos contextos abusivos. Com isso, evidencia-se que a crença citada é fortemente enraizada no pensamento do corpo social, gerando, portanto, uma alienação em massa. Além disso, em sociedades patriarcais, o respeito à autoridade dos membros mais velhos é idealizado como padrão de prestígio, fazendo filhos e cônjugues crerem que a quebra do laço sanguíneo é uma violação da moral que irá gerar punições e julgamentos. Urge, pois, que esse tabu seja erradicado.

Ademais, a pressão para manter a imagem de uma família perfeita leva muitos a suportar situações adversas em silêncio. A esse respeito, o filósofo Aristóteles afirma que as relações familiares, especialmente entre marido, esposa, pais e filhos, são fundamentais para a ordem social e para o exercício da virtude. No entanto, o pensamento em questão desconsidera as injustiças que surgem dentro das dinâmicas tradicionais, em que pode haver violência simbólica e física, visto que os opressores aproveitam-se do medo das vítimas e da impunidade. Assim, ao intensificar o estigma em torno da exposição, os índices de depressão e de suicídio tendem a crescer, dificultando, então, a solução da ojeriza.

Logo, a fim de solucionar as questões familiares e impedir a naturalização delas, cabe ao Ministério da Educação, como órgão responsável pelo despacho de valores cruciais para a sociedade, pelo intermédio de campanhas publicitárias, naturalizar o debate sobre as diferentes realidades de cada lar e facilitar as denúncias. Outrossim, cabe às autoridades fornecer serviços psicológicos abrangentes e efetivos para reparar as consequências mentais dos oprimidos.