A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 02/09/2019

No filme biográfico O jogo da imitação, o cientista Alan Turing utiliza de artefatos tecnológicos para conseguir decifrar a máquina de codificação alemã Enigma, a fim de, auxiliar os britânicos na luta contra o nazismo na Segunda Guerra Mundial. Não obstante, transcende a arte as contribuições de Turing e seus estudos na área da computação e inteligência artificial para a tecnologia atual no combate à criminalidade. No entanto, o cenário brasileiro ainda não é palco desse proveito. Pois, entraves como a falta de investimento nessas tecnologias por parte do Estado aliadas as falhas no preparo técnico de profissionais da área, complicam ainda mais esse agravante na sociedade brasileira.

Em primeiro lugar, é importante destacar a falta de investimento do Estado em tecnologias de combate à criminalidade. Por conseguinte, a escassez de verbas e licitações para a aquisição desses equipamentos contribui para a manutenção de índices alarmantes de crimes em contexto nacional. De acordo com pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de segurança pública em parceria com a USP, somente nos primeiros 5 meses do ano corrente de 2019 foram registradas mais de 17 mil mortes violentas. Este cenário é um agravante a ser resolvido não apenas pelo poder público, mas também por toda a sociedade.

Somado a isso, há também as falhas no preparo técnico dos profissionais da área de segurança. Pois, a capacitação e o treinamento desses é fundamental para a conciliação efetiva com a tecnologia e a garantia de segurança para a sociedade. No entanto, em analogia ao sociólogo Émile Durkheim: ‘‘O indivíduo só poderá agir na medida em que aprender o contexto em que está inserido, a saber quais são as suas origens e as condições que depende’’. Ou seja, o profissional só consegue intervir quando entende a conjuntura, as origens do problema e o uso desses equipamentos em torno disso, e o único modo para que desenvolva esse senso é por meio da educação, que necessita de maior aporte do Estado. Isso é de suma importância para que a sociedade se atente ao uso correto da tecnologia no combate à criminalidade, sem substituir as ações preventivas necessárias.

Logo, é mister que o Estado tome providências para atenuar tal cenário. Para isso, urge que o Ministério da Defesa em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, intensifiquem verbas para a aquisição de equipamentos de defesa pública, e ampliem o financiamento de indústrias brasileiras na área, a fim de, incentivar a produção nacional. Também, que reduzam os impostos em tecnologias de segurança doméstica para estimular o consumo e, em parceria com o Ministério da Educação criem mais cursos de capacitações em tecnologia de profissionais da área de segurança, por meio do SENAC, a fim de garantir o combate a esse impasse de forma precisa e democrática.