A tecnologia no combate à criminalidade
Enviada em 04/05/2020
No livro “Hipermodernidade”, de Gilles Lipovetsky, é retratada uma sociedade na qual os indivíduos estão mais informados, porém, ainda não críticos, mostrando assim a realidade vivida no Brasil. Com isso, evidencia-se um corpo social marcado pela dicotomia da responsabilidade ou irresponsabilidade. Nesse sentido, percebe-se que os principais desafios do uso da tecnologia no combate à criminalidade é a falta de recursos e de profissionais qualificados, que resulta no aumento da criminalidade.
É imprescindível ressaltar, a princípio, que a falta de recursos é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com historiador Eric Hobsbawm, o século XX foi marcado pela era dos extremos devido ao paradoxo: de um lado, os avanços tecnológicos e de outro, o extermínio de cultura e povos. É o que se verifica no atual cenário brasileiro, no qual se investe em tecnologias de informação, mas não na integração eficiente entre a tecnologia e a área de segurança pública no Brasil. Além disso, falta profissionais qualificados para atuarem em conjunto com as tecnologias de ponta desenvolvidas, como os drones, as câmeras de videomonitoramento.
Ademais, é importante destacar, também, que a sociedade vive em constantes riscos ao não ter os direitos básicos garantidos, como teorizou o sociólogo Ulrick Beck, na obra “A sociedade do risco”. Assim sendo, a principal consequência é no âmbito da segurança pública, pois há uma precária integração do sistema de tecnologia, quando se trata do combate ao crime, e, assim, há um aumento do índice de violência no Brasil. Segundo dados de uma entrevista da Datasenado, 38% dos entrevistados afirmaram já terem sido vítimas de violência ou crime. Logo, verifica-se a falta de responsabilidade do Estado. Desse modo, são necessários novos agentes de mudança quando se trata da relação entre os seres humanos.
Portanto, não utilizar a tecnologia de forma eficiente na segurança pública do Brasil é um desafio para o universo do homem social. Para esse mundo globalizado, são necessários investimentos na Educação Social, a fim de adquirir novos valores e mudar a conduta, porque se percebe hoje uma distorção de comportamentos. Por isso, os Institutos de tecnologia, em parceria com o Ministério das comunicações, por meio de projetos de apoio social, devem criar plataformas digitais, a exemplo do “Youtube”, já que são instrumentos de longo alcance, com documentários e até orientações sobre a necessidade de desenvolver cursos na área de TI para capacitar os profissionais da segurança pública, o que irá favorecer a sociedade como um todo. Assim, é preciso ter atos responsáveis para uma sociedade mais igualitária.