A tecnologia no combate à criminalidade
Enviada em 10/06/2020
No livro “1984”, do escritor George Orwell, é narrado um futuro distópico, no qual o uso da tecnologia para a vigilância constante da população culminou na violação da vida íntima dos cidadãos. Analogamente, no Brasil, quanto ao combate da criminalidade com o uso de tecnologia, é possível destacar tanto aspectos positivos, quanto negativos. Se por um lado, o trabalho policial se tornou mais rápido e eficiente - o que garante uma maior sensação de segurança; por outro, a perda de privacidade representa um problema nocivo à vida em sociedade, assim como na ficção de Orwell.
Em primeiro lugar, a melhora na qualidade de atuação e o auxílio que os avanços tecnológicos podem trazer para o trabalho policial são questões cruciais ao analisar o impasse. No livro “Vigiar e Punir”, do filósofo Michel Foucault, é explicitada sua teoria sobre o poder disciplinar e o controle de indivíduos, por meio da análise do Panóptico - uma torre central em presídios, que permite a vigilância simultânea de todos os detentos - que produz subjetivação e segurança, já que impede crimes e revoltas. Essa teoria foi agravada pela globalização, uma vez que o advento de novas tecnologias permite a vigilância em massa da sociedade. Dessa forma, o trabalho policial se torna menos complexo e mais efetivo, o que colabora para a diminuição de índices de criminalidade e de violência.
No entanto, outro aspecto a ser considerado é a perda de privacidade devido a facilidade de acesso à informações pessoais pelas autoridades. No livro “O Mal-estar da Pós-Modernidade”, do filósofo Zygmunt Bauman, é evidenciada sua teoria sobre o paradoxo contemporâneo, no qual a sociedade abre mão de sua individualidade em troca de segurança. Dessa forma, a sensação de segurança, na verdade, é causada pela constante quebra de privacidade e pela excessiva vigilância, o que nos aproxima da teoria de Bauman. Isso se demonstra, no caso de Edward Snowden, ex-espião da CIA, que revelou diversas informações sobre os programas de vigilância e espionagem da população dos Estados Unidos, evidenciando o preocupante quadro de invasão da vida privada no mundo moderno.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver a questão. Nesse sentido, além de realizar campanhas de conscientização contra o excesso de compartilhamento de informações pessoais na rede, o Estado e o Ministério Público devem criar um projeto de lei que será entregue à Câmara dos Deputados, com o objetivo de tornar obrigatória a preparação dos profissionais de segurança para o uso da tecnologia no trabalho. Isso deve ocorrer por meio de parcerias com empresas privadas, para que sejam realizados cursos especializados para o treinamento de policiais, a fim de evitar abusos de autoridade e, assim, tornar os profissionais capacitados para o uso das novas tecnologias.