A tecnologia no combate à criminalidade
Enviada em 01/06/2020
Ainda no final do século XX, a tecnologia passou a integrar o cotidiano das pessoas por meio de equipamentos eletrônicos. Atualmente, não há dúvidas: as aplicações da Revolução 4.0 tornam-se cada vez mais coletivas à medida que se apresentam como agentes no combate à criminalidade. Nesse sentido, nações como o Brasil - que possui elevadas taxas de violência - buscam potencializar a implementação dessa ferramenta, o que, no país, deve envolver a promoção da coparticipação social e a superação de conceitos limitados acerca de seu uso.
É válido destacar, de início, que a utilização dos aparatos tecnológicos pressupõe o encurtamento das distâncias. Sob a ótica do filósofo Hebert Marshall, tais ferramentas proporcionaram o surgimento de uma “aldeia global”, isto é, transformaram o mundo em um local no qual os sujeitos estão em constante contato. Dessa maneira, percebe-se que aprimorar o uso da tecnologia no enfrentamento da violência urbana significa, também, aumentar a comunicação entre os órgãos de segurança e a sociedade. A união desses dois agentes, mediada pelos algoritmos, permite que indivíduos residentes em locais de difícil monitoramento pelas câmeras e pela polícia possam denunciar sitações de injúria de forma mais rápida e eficiente.
Convém pontuar, ainda, que a noção de imediatismo atrelada à internet restringe sua plena aplicação para fins de seguridade social. Para a Organização das Nações Unidas, as medidas de repressão devem vir acompanhadas de ações de prevenção. Quanto a isso, observa-se, na modernidade, uma valorização da possibilidade de intervir no momento em que a agressão acontece trazida por recursos modernos, como câmeras de filmagem, em detrimento de sua serventia para estudos e elaboração de políticas públicas de prevenção de ações criminosas. Essa perspectiva limitada permite, apenas, a adoção de soluções pontuais, insuficientes para resolver a problemática.
Depreende-se, portanto, que o uso da tecnologia no enfrentamento de transgressões deve ser potencializada. Para isso, as secretarias municipais de segurança devem ampliar os canais de comunicação com a população. Tal medida pode ser realizada a partir da criação de aplicativos de celular, por meio dos quais os indivíduos possam denunciar abusos e pedir ajuda, entrando em contato direto com as polícias locais. Além disso, cabe aos governos estaduais capacitar os agentes que atuam no monitoramento das câmeras nas cidades, por meio de oficinas ministradas por especialistas no tema, a fim de que possam contribuir para a criação de políticas públicas voltadas às áreas de maior ocorrência de crimes. Espera-se, assim, que mais uma aplicabilidade da tecnologia no cotidiano da contemporaneidade possa ser consolidado no Brasil.