A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 01/06/2020

A Alta Idade Média foi marcada por técnicas arquitetônicas de construção de muralhas, as quais cercavam as cidades com a finalidade de proporcionar seguridade militar, uma vez que nesse período ocorreram diversas tentativas de invasões “bárbaras”. Apesar do lapso histórico e temporal, é possível entender que, assim como o uso de artifícios tecnológicos de construção serviram para a proteção da população medieval, a tecnologia hodierna deve estar aliada ao combate à criminalidade,garantindo a segurança dos cidadãos. Sob esse viés, é fundamental pontuar a relevância das tecnologias na guerra ao crime e os fatores impulsionadores da sua não efetividade na realidade brasileira.

A princípio, é importante perceber que o uso da tecnologia como mecanismo de inspeção possui por si só uma capacidade de contenção criminal. Ao tomar como base o pensamento de Michel Foucault, a partir da teoria panóptica presente na sua obra “Vigiar e punir”, que consiste em uma lógica de disciplina social baseada na vigilância, nota- se que os corpos são docilizados por estruturas de observação comportamental. Diante disso, é perceptível que a aplicabilidade de tecnologias, tal qual GPS,câmeras e drones, é primordial para o combate ao crime, tendo em vista que, além de auxiliar nas atividades das autoridades policiais, possui um efeito de repressão baseado no medo de punição.

Paralelo a isso, é possível observar que os aparatos tecnológicos aliados ao combate à criminalidade estão distribuídos de maneira disforme nas cidades. De acordo com Ermínia Maricato, doutora em Arquitetura e Urbanismo, as características do espaço urbano estão atreladas às raízes históricas, como a escravidão, que constituíram aglomerados humanos em situação de precarização e de negligência Estatal. A partir desse prisma social, nota-se que as áreas mais propensas ao crime, por motivos de carência educacional, são excluídas, muita vezes, da inserção tecno-científica no combate a infrações. Esse triste cenário é impulsionado pelo descaso estatal para com a população marginalizada e pela consequente falta de credibilidade nas instituições públicas, dando continuidade a cíclica predatória do crime nas regiões periféricas.

Logo, pode-se inferir que a eficiência dos mecanismos tecnológicos na combato ao crime dista da realidade brasileira. Com base nisso, urge o Ministério Da Justiça e Segurança Pública, pelo seu poder executivo em escala nacional, elabore um aplicativo que proporcione a comunicação da população com as Secretarias De Segurança locais, para realização de um novo mapeamento de áreas que necessitam de reforços de aparatos eletrônicos no combate ao crime, conforme índices de denúncias. Afinal, é primordial que a evolução tecnológica vá além das muralhas que cercam a população, proporcionando a liberdade e a consolidação do direito de ir e vir por meio da segurança.