A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 30/05/2020

A ´´aldeia global´´ de Marshall McLuhan, denominação utilizada pelo filósofo para caracterizar o período pós-Revolução Informacional, define como a globalização domina a atualidade, fato comprovado também através do aumento da criminalidade devido à intensa conexão entre as diversas partes do Globo. Entretanto, o avanço crescente da tecnologia torna-se um aliado em combate às práticas criminosas, embora essa intensa vigilância atue como redutora da privacidade individual.

Em primeira análise, os avanços tecnológicos vêm, a cada dia, constituindo um lugar cada vez mais abrangente no combate ao crime. Dessa forma, o ataque realizado pelo grupo terrorista Al-Qaeda nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, constituiu-se como um marco histórico para o combate às ações ilegais, pois, a partir desse momento, a segurança foi aumentada em diferentes setores sociais, especialmente em aeroportos, através de escaneadores para a verificação de documentos e a utilização de raios X para a visualização do interior de bagagens. Ademais, a tecnologia é utilizada também para o rastreamento de crimes através de câmeras, visualização de pesquisas ilegais em sites e compra de produtos ilícitos, como drogas, através da internet. Todavia, a tecnologia é controlada por países desenvolvidos, os quais vendem o conhecimento para nações em desenvolvimento, que, devido ao alto custo do poderio tecnológico, empregam a ciência em combate ao crime ainda de forma restrita.

Em segunda análise, em meio a tanta tecnologia objetivando a redução da criminalidade, decresce a liberdade individual. Na série brasileira ´´Onisciente´´, todos os moradores de uma determinada cidade são vigiados em tempo integral por uma câmera inserida em uma espécie ´de ´inseto´´, e, com isso, muitos desses ´´vigiados´´, sabendo que cada crime é informado à central imediatamente se sentem protegidos,  embora outros sintam sua liberdade infligida com essa ação. Analogamente, a realidade ao redor do Mundo no século XXI não está muito distante da visualizada nessa obra ficcional, pois, mesmo com a sensação de segurança, muitos se sentem sufocados com a ideia de vigilância em tempo real, o que leva à uma sensação que o livre arbítrio é uma realidade cada vez mais distante, resultando em um aumento da incidência de casos de ansiedade e depressão nos diversos grupos sociais.

Nesse sentido, para a reversão desse quadro, urgem medidas como a criação de um órgão na Organização das Nações destinado a promover a tecnologia nos diferentes países ao redor do globo, através de um fundo mundial destinado a investimentos tecnológicas em combate ao crime, como a compra de câmeras para locais públicos e a o financiamento de pesquisas universitárias, cabendo a cada país uma contribuição proporcional ao capital que possui. Dessa maneira, objetiva-se a redução da disparidade tecnológica entre as nações e a redução do crime em escala global.