A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 01/06/2020

O panóptico social, retratado por Michel Foucault, revela que a sociedade está a todo instante sendo observada, de modo a desestimular comportamentos e promover uma ordem. Nesse sentido, a tecnologia age, no mundo atual, análoga à ideia do filósofo, especialmente no combate à criminalidade. Nessa perspectiva, por mais que os equipamentos eletrônicos possam ajudar na atenuação de atos criminosos, vale ressaltar que eles podem promover uma pseudosensação de segurança, além de dificultar a autonomia de pensamento por parte dos indivíduos.

Em primeira análise, vale salientar que a tecnologia, nos dias atuais, é de suma importância para a vida cotidiana dos indivíduos, de modo que ela está sendo utilizada até mesmo no combate a mazelas sociais, como é o caso da criminalidade. No entanto, esses equipamentos tecnológicos podem causar uma falsa sensação de segurança, de modo que o Estado, ou qualquer outro órgão responsável pela seguridade pública, se torne omissos a outros tipos de criminalidade vão além do que câmeras e outros aparelhos possam registrar. Isso pode ser comprovado pelo dado divulgado no site do Governo Federal em 2019, o qual mostra que houve um aumento de aproximadamente 20% nas denúncias registradas pelo “disque 100”, em que boa parte das pessoas relatam violências de cunho psicológico.                          Em segunda análise, é válido ressaltar ainda que a tecnologia, mesmo sendo uma boa aliada dos indivíduos no combate à criminalidade, pode gerar uma sociedade menos propícia à autonomia de pensamento. Isso porque por mais que esses aparelhos sejam dotados de uma “inteligência ilimitada”, eles ainda necessitam do pesamento humano para serem utilizados de modo estratégico e que promovam resultados positivos. Nesse sentido, para o filósofo Immanuel Kant, é necessário que os sujeitos atinjam a “autonomia do pensar”, pois essa é o fundamento de toda a moralidade das ações humanas. Ou seja, para que a tecnologia seja utilizada de modo sensato na atenuação das mazelas sociais, principalmente da criminalidade, é necessário que o indivíduo não se torne “refém” da própria criação, de maneira a buscar sempre a reflexão para além do abstracionismo tecnológico.

Portanto, com o objetivo de melhorar ainda mais os aparatos tecnológicos na combate à criminalidade, o Estado, juntamente com empresas do ramo da tecnologia, pode desenvolver uma espécie de falso jogo eletrônico, o qual se torna um disfarce pra um canal de denúncias, a qual o indivíduo informa seus dados e o tipo de crime sofrido ou observado. Outrossim, as instituições escolares deve, por meio dos docentes, realizar debates e/ou palestras com os alunos, de modo a estimular o pensamento crítico e autônomo do estudante, com o intuito de fazê-lo auto-questionar-se e buscar soluções para tais ideias, de maneira que a tecnologia não se torne o cérebro social.