A tecnologia no combate à criminalidade
Enviada em 29/05/2020
No livro “1984”, de George Orwell, o “Grande Irmão” é um sistema de câmeras responsável por vigiar todos os habitantes da cidade, a fim de que ninguém descumpra as regras impostas e para que o governo possa exercer seu papel totalitário. Fora da ficção, sobretudo no Brasil, assim como em “1984”, a tecnologia tem sido cada vez mais utilizada no monitoramento das grandes cidades. No entanto, diferentemente da obra, essa técnica mais moderna é adotada para o combate à criminalidade, visto que possui grande sucesso com relação à ampliação da onipresença do Estado, bem como a menor exposição dos policiais.
É válido ressaltar, de início, que a utilização de equipamentos tecnológicos contribui para a onipresença do Estado. Isso ocorre porque locais onde não é possível a vigilância integral e física do corpo policial não sofre totalmente com a falta de assistência, visto que dispositivos eletrônicos, como câmeras e alarmes, por exemplo, permitem a rápida identificação do transgressor e o acionamento da polícia. Conforme o filósofo John Locke, a sociedade realiza um pacto social com o Estado, no qual ela entrega sua liberdade em troca da proteção deste. Assim, a tecnologia no combate à criminalidade permite que o governo possa cumprir com seu papel nesse pacto.
Ademais, a adoção de dispositivos modernos no combate à violência também possibilita uma menor exposição dos policiais à criminalidade, devido à resolução pontual dos casos. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, de 2017, o Brasil configura-se como o país onde a polícia mais mata e mais morre no mundo. Esse dado comprova o trágico resultado que a falta de planejamento das ações policiais pode acarretar nos membros da corporação. Com isso, a utilização de equipamentos modernos pode contribuir para uma ação mais efetiva e menos danosa, tanto para o policial, quanto para o cidadão.
É necessário, portanto, medidas que facilitem a maior integração da tecnologia na segurança pública. Para isso, o Ministério da Justiça investirá mais nesse projeto, por meio de uma lei que obrigue capitais e cidades metropolitanas a se tornarem 70% a 80% tecnológicas no que se refere a esse âmbito. Isso ocorrerá por meio de quantias mínimas a serem enviadas aos locais que possuam maior índice de criminalidade. Esse investimento será utilizado não apenas na compra de materiais, como também na qualificação de profissionais da área, incluindo policiais. Assim, a tecnologia permitirá maior segurança e será um “Grande Irmão” do bem.