A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 04/06/2020

A constituição em vigor no Brasil estabelecida em 1988, a Constituição Cidadã, garante o direito fundamental à segurança por parte do Estado aos cidadãos. Entretanto, esse regimento não condiz com a realidade da sociedade hodierna, a qual é vítima dos elevados quantitativos de criminalidade no país. Sendo assim, ocorre uma busca por suprir essa falha institucional por meio do uso de mecanismos tecnológicos no combate as infrações.

Mormente, vale ressaltar a trajetória histórica para o patamar atual das tecnologias como complemento da segurança brasileira. Nesse sentido, o advento da Guerra Fria e, consequentemente, a corrida armamentista entre as duas potências econômicas, o Estados Unidos da América e a União Soviética, foi responsável pelo imenso aprimoramento científico do século XX. Esse evento contribuiu com o desenvolvimento de conhecimentos no âmbito da defesa pública, no qual  encontra-se  atualmente nos videomonitoramentos, rastreadores e algorítimos digitais. Sob essa perspectiva, o exemplo do pesquisador da UFMG, João Macedo, o qual criou um programa de reconhecimento fotográfico para fiscalizar e combater casos de pornografia infantil. Dessa maneira, o meio tecnológico contribui fortemente para uma nova configuração dos mecanismos de proteção.

Em paralelo, as falhas de segurança do sistema governamental atrasa o implemento de medidas protetivas para a população. Segundo a filósofa Hannah Arendt, existe uma “banalização do mal” na sociedade, ou seja, uma neutralização das ações prejudiciais dentro do convívio social. Sob essa ótica, analisa-se a inércia da população em relação aos altos índices de criminalidade no território brasileiro, os quais convergem com essa teoria e adia a implementação das tecnologias nos meios de segurança. Essas taxas se concretizam na pesquisa realizada pelo Índice de Progresso Social em 2014, o Brasil é o décimo primeiro país mais inseguro do mundo. Isso demostra a importância do uso dos novos conhecimentos tecnológicos como alternativa para combater o quantitativo de infrações e intensificar o poder dos órgãos de proteção do Estado.

Destarte, é notório como a tecnologia pode ser um grande aliado à segurança pública. Dessa forma, cabe ao Ministério de Segurança fortalecer o uso das tecnologias acerca dessa área, por meio do oferecimento gratuito de mecanismos nos setores públicos e privados para incrementar o combate à criminalidade. Além disso, é dever da mídia incentivar o ativismo da população com campanhas conscientizadoras nas plataformas digitais com especialistas no assunto, visando alcançar a implementação das tecnologias nos projetos de defesa pública. Assim, há a possibilidade de convergir a teoria da Constituição brasileira e a realidade da sociedade.